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Homo – Bento XVI – Fobia

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O
Papa e sua indumentária oficial para colher uvas.

 

Por PERRUSI, Pai

Desde o início do seu Pontificado, o Santo Padre, Bento XVI, tem pronunciado frases e enunciado conceitos estapafúrdios e indignos de um intelectual a quem toda a Grande Imprensa tem incensado. Aliás, não é por acaso que tenha sido o chefe do Santo Ofício, hoje denominado de Congregação para a Doutrina da Fé. No ano passado, ele já fizera declarações ingênuas e altamente errôneas sobre a Teoria da Evolução de Darwin e Wallace, afirmando que a Evolução, ao contrário do dogma da Transubstanciação, por exemplo, era uma teoria ainda não demonstrada cientificamente.

 

Na época, escrevi um pequeno artigo neste Blog repudiando tais afirmações e mostrando todo o vigor científico da Evolução. De engraçado mesmo, partindo de um Papa Cristão, foi deixar implícito que a Transubstanciação era uma doutrina cientificamente demonstrada como, aliás, muitos dos outros dogmas da Igreja Romana como, por exemplo, a data do Natal de Jesus Cristo ou, mais ainda, a Ressurreição do Divino Mestre.

 

Todos os melhores historiadores, inclusive os cristãos, sabem muito bem que o Natal teria ocorrido no mês de Março e que 25 de Dezembro era um feriado pagão dedicado ao Deus Sol. Naqueles dias, os pagãos não trabalhavam e os primitivos cristãos precisavam de algo significativo para comemorar. E ficar em casa, ou ir às suas Igrejas! Como não se sabia ao certo quando Jesus teria nascido, nem tampouco o local exato do seu nascimento, foi conveniente utilizar o feriado pagão para comemorar a Natividade bem como estabelecer Belém como local do evento, como um dos Evangelhos afirma. Tudo bem, como manda a tradição! E isso não incomoda mais ninguém. O Natal tornou-se uma festa comercial e uma oportunidade para se desejar votos de felicidades para os amigos.

 

Contudo, Bento XVI, na semana passada, deu mais um passo em sua festejada ignorância preconceituosa. Ladrou contra os homossexuais com argumentos pseudo científicos, isto é, afirmou que a “homossexualidade contribuía mais para a extinção da espécie humana do que, propriamente, as alterações climáticas” que, segundo os cientistas, inclusive os do Vaticano, são apontadas acertadamente como perigo iminente para tal extinção.

 

Na minha longa vida de Professor ─ Secundário e Universitário ─ , convivi com colegas, alunos e alguns amigos que eram homossexuais, de ambos os gêneros. Sempre e sempre, o que me importava era o caráter das pessoas, seu comportamento ético e seu espírito de cidadania. Como dizia um colega da Universidade, em pleno Seminário na Pós-Graduação, ao ser questionado sobre o assunto: “em matéria de sexo, cada um se vira como pode”. Ele queria dizer, tão simplesmente, que sexo é um negócio privado e que não diz respeito ao Estado nem a qualquer Igreja, seja a Romana, as Protestantes, Muçulmanas ou quaisquer outras.

 

Homossexualidade não está no domínio da Ética Pública. Na Modernidade, trata-se de um fato da Vida Privada do ser humano. Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 16% da Humanidade, homens ou mulheres, são homossexuais ou já tiveram, pelo menos uma vez na vida, uma relação homossexual. Na verdade, até mesmo entre alguns primatas, comprovou-se que existe a prática homossexual, embora eventual. Ora, trata-se de uma minoria expressiva da Humanidade e que deve ser respeitada em qualquer Estado Democrático de Direito, sem falar na tolerância dos antigos, especialmente entre os gregos e romanos, dos quais somos herdeiros intelectuais, tanto em matéria de Filosofia, em geral, como no estudo e na prática da Ética ou da Moral.

 

Não se trata, evidentemente, de fazer uma apologia da Homossexualidade. Trata-se, isto sim, de respeitá-lo como prática sexual legítima e que não fere os direitos individuais nem coletivos da Humanidade. O respeito, portanto, da diversidade sexual representa também um ato de saudável cidadania. A homofobia de Bento XVI, entretanto, choca-se violentamente contra uma prática mais do que visível dentro da própria Igreja Romana.

 

E as razões são óbvias, aliás.

 

Segundo o Gênesis, a única ordem de Jeová dada a Adão e Eva foi: “crescei e multiplicai-vos”. Talvez, condenando milhares e milhares de padres e de freiras ao celibato, a Igreja nada mais faça do que incentivá-los a formas de perversão sexual, quando não, o que é mais terrível, à Pedofilia descarada. Ora, tal “pecado” contra o primeiro ordenamento de Jeová, ao criar o ser humano, constitui, sem nenhuma dúvida, isto sim, um “perigo” para a sobrevivência da espécie, embora seja ridículo argumentar dessa forma.

 

(Seja dito de passagem que o argumento da autoridade, utilizando como fonte exclusiva a Bíblia, sempre gerará contradições lógicas e morais insustentáveis — por isso, fiquemos na autoridade do argumento ou da… ironia.)

 

Como dizia Aldous Huxley, a castidade (ou a virgindade) é a maior das perversões sexuais!

 

A homossexualidade jamais contribuirá para a extinção da espécie humana, que nunca deixou de crescer. A perseguição contra os homossexuais (pari passu à misoginia) existe desde os primórdios dos tempos. O combate contra toda forma de preconceito e perseguição, também.

 Para o bem ou para o mal, a Humanidade ainda crescerá bastante, mesmo com as desconfianças infundadas de Bento XVI.  


 

Em homenagem ao Papa e seu ecumenismo, sua liberalidade cultural e seu cosmopolitismo, tudo baseado no Livro Sagrado, é claro, no versículo quarto de Baphomet, para ser mais específico, aí vai um vídeo legal:

Imagem de Amostra do You Tube

 

Possuído pelo espírito papal, aí vai outro vídeo legal (no blog antigo, já o tinha publicado — parece ser a mais nova versão):

Imagem de Amostra do You Tube
DimasLins

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