Acompanhe o RSS: Artigos | Comentários | Email

Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – I

12 comentários

 
Video meliora proboquae deteriora sequor

Nota introdutória de Perrusi Pai:

O Reverendo Tsé-Tsé, doente e quase em coma, chamou-me com urgência. Deitado num colchão de palha, rasgado e fedorento, encontrava-se num estado lamentável. Desgrenhado, magérrimo, amarelado (hepatite C, quem sabe!), sem juntar coisa com coisa, quase delirando.

Falou-me que estava recebendo visitas semanais de Perrusi Filho, o Psiquiatra de Intermares, que lhe administrava drogas alucinógenas e estranhas com o falso pretexto de curar suas doenças. Meneei a cabeça. Por que chamaram logo Perrusi Filho?! Que temeridade. Para o dito psiquiatra, todo e qualquer religioso deveria receber tratamento, pois considerava a crença uma espécie de delírio. Jamais o convenci de que o Reverendo, na verdade, era ateu.

– Ateu, que nada! E, se fosse, seria um paradoxo. E todo paradoxo deve ser tratado! Dizia do alto de sua ciência psiquiátrica.

Mas o Reverendo estava mal. Acabara de perder uma amiga, talvez a mais importante de sua vida, e chorava lágrimas sem fim no colo de Marocas. Bacias delas, jogadas no rio, quase provocando nova cheia do Capibaribe.

Mea culpa! Mea maxima culpa! Três meses de profundo sono, sem escrever pra ela! ─ Exclamava Tsé.

Pra dizer a verdade, não acreditei nessa história. Amigos não rompem a amizade por tão pouco. Só podia ser masturbação emocional do Reverendo pra justificar sua revolta contra o Psiquiatra de Intermares. Enfim, como dizia Sócrates, “a alma humana é insondável”, embora Freud bem que tenha tentado.

Desiludido, proibira a entrada do citado Psiquiatra na Comunidade. Mas eu suspeitava que o Dito-Cujo convencera Marocas, com suas técnicas de sedução, a colocar gotinhas de atropina na papa de aveia do Reverendo.Imediatamente, proibi a papa e conversei longamente com Marocas, desmontando o plano diabólico de Perrusi Filho. Depois, voltei ao quarto, indo conversar com o paciente. Com grande esforço, ele se virou de lado e tirou de debaixo do seu próprio corpo um calhamaço escrito à mão. Garranchos puros e quase ilegíveis, como notei logo no primeiro momento.

Tsé-Tsé me disse, então, que o texto era um esboço de suas Memórias que uma grande Editora do Sul iria publicar. Contudo, como estava quase à morte, preferiu me confiar o manuscrito para que dele fizesse o que bem entendesse, antes que o indigitado médico o visitasse novamente, roubando-lhe o precioso texto. (Incrível, pensei, ele ainda confia no Alienista).

Tratava-se de uma história muito confusa, produto de uma mente perturbada ─ efeito das drogas, certamente ─ em que o Reverendo conta fatos, descreve paisagens e fala mal de todo mundo. Pude perceber apenas as passagens legíveis, é claro. Não acreditei em quase nada.

Contudo, fiel ao amigo de longa data, resolvi publicar o texto. Como não se tratava de nada verdadeiro, como acredito, corrigi seu português arrevesado e modifiquei ligeiramente o título (“Mnemônicas de um Sacerdote Atormentado”), para um mais realista: “Falsas Memórias do Reverendo Tsé-Tsé”, deixando ao leitor eventual o julgamento definitivo.

 

10 CAPÍTULO: Variações sobre um nascimento

 

 E como foi que toda essa porcaria de vida começou? Sei lá! Dizem que um peixinho, que não gostava de água salgada, foi passear pela praia de Tamandaré. E gostou! Depois, virou um lagarto. Muito tempo depois, um mamífero virou, por sua vez, um macaco que, finalmente, após quebrar os braços e as pernas pulando de coqueiro em coqueiro, virou o homo sapiens, ou, como dizem os politicamente corretos, um mamífero humano, macho e fêmea.

E tudo começou assim mesmo? Ou isso não passa de mentirinhas científicas que as escolas de Bel-O-Kan, inspiradas pelo novo Prefeito, são obrigadas a contar?

De minha parte, não acredito que tenha sido desse jeito. Mas, de que jeito, então? Sei lá! Só me contaram depois de muitos anos. Foi assim! Vó Dé estava pescando siri na beirada de sua palafita quando sentiu um peso enorme na linha.

─ Eita! Que baita siri! ─ Resmungou satisfeita.

Chamou, então, toda a comunidade de palafiteiros pra ver como era boa em matéria de pescaria. Foi puxando a corda com isca de tripas de galinha, mas não conseguia. O peso era muito grande. Sua filha Teca começou a ajudar e as duas trouxeram pra cima uma cesta de vime forrada de papel de alumínio que parecia uma coisa viva porque berrava que nem um cão danado.

─ Veja só, Teca! Um siri que late como um cachorro.

─ Que nada, Vó! É um bebê abandonado que encalhou no mangue.

─ Será? Com essas cataratas nos dois olhos, já não vejo tão bem.

─ Posso garantir que é isso mesmo. Um bebê chorão. ─ Respondeu Teca.

Vó Dé chamou Vô Dica e perguntou o que fazer com aquilo. Jogar de volta pro rio ou levar pra enfermaria? Teca não deixou. A criança era bonitinha e ela não conseguia ter mais filhos, além dos oito vivos. Reuniu a família, sem o marido que, de tanta bebedeira, já estava dormindo, e disse com muita autoridade:

─ Mais um imãozinho pra vocês. Agora é procurar um nome, pois bebê sem nome é pecado.

Ora, o avô de Vô Dica era neto de escravos africanos fugidos que construíram as primeiras palafitas do bairro, às margens do Capibaribe. Além de grande caçador de capivaras, pescava como ninguém, de tubarão a camurim, passando por tudo o que era piaba, a maioria do seu pescado, é bom frisar. Seu ancestral chegara da África oriental, dentro de um negreiro chamado Tsé. Era tido como indolente, sonolento e preguiçoso e era chamado de Tsé, em homenagem ao navio. Foi por isso, aliás, que Gilberto Freyre, em mais um dos seus equívocos, quando o entrevistara ainda jovem, inventou o banzo, dizendo que se tratava de saudade.

Que nada! Ele tinha era a doença do sono causada por picada de uma certa mosca. Sono, na verdade, muito parecido com aquele que me fora imposto pelo Psiquiatra de Intermares.

Como o bebê encalhara no mangue, resolveram chamá-lo de Moisés Siri. Depois, acrescentaram Tsé, na esperança de que se tornasse também um grande personagem de Bel-O-Kan, como fora seu tetravô. Mas seu padrasto adotivo, além de cachaceiro, era também gago de nascença, e o resultado foi um duplo Tsé no seu nome de batismo.

E foi assim que tudo começou!

Pensando bem, a situação não era nada boa. A família Tsé era composta de afro-brasileiros e o bebê era branquinho, puxado pra ruivo, meio pixaim. E, por isso, sofreu uma discriminação danada, até que se tornou uma celebridade, dentro e fora de Bel-O-Kan. Além disso, havia um pastor da Assembléia que pervertera meus pais adotivos com estranhos sortilégios.

O bebê, descendente de um peixe de Tamandaré, que detestava água, foi logo protestando no primeiro banho de água suja do rio.

─ Não quero! Não quero! ─ Gritava Tsézinho, na língua de recém-nascido.

Mas, assim que foi crescendo, o padrasto e Mãe Teca lhe ensinaram a falar línguas estranhas e, principalmente, a expulsar os demônios da comunidade. E não eram poucos! Ao mesmo tempo, o menino siri começou uma amizade clandestina com o filho do curandeiro, o velho Dr. Quinzão. Mais tarde, Quinzinho tornar-se-ia um grande parceiro nas obras da comunidade, especialmente na defesa dos sapos.

No entanto, para isso, muitas águas rolaram dentro e fora do Capibaribe. A primeira revolução, preventiva e de aspecto purificador, foi combater e expulsar os famigerados crentes da Assembléia e construir uma tenda de palha para fazer remédios que, mais tarde, se tornar-se-ia o famoso Laboratório do Dr. Quim Júnior.

Começo minhas memórias, portanto, como uma espécie de exorcismo de cabeça pra baixo, relembrando, assim, a velha mania dos crentes em querer expulsar demônios barulhentos, invisíveis e inexistentes. Acompanhado do Pastor local, saíam em bandos levando suas negras Bíblias debaixo dos sovacos fedorentos. Não sei se os demônios ligavam muito pra isso, embora todo mundo dissesse que eles, de fato, existiam.

Ainda hoje, tenho pena dos demônios expulsos pelo meu pai adotivo. Mais ainda do meu pai. Acho mesmo que, naquelas ocasiões, havia muita festa no Inferno, com churrascos de pecadores inocentes comemorando a besteirada dos crentes.

Aliás, sempre torcia pelos diabinhos, inexistentes ou não, embora sabendo que resistiriam com bravura fervente às forças terríveis desencadeadas pelos enviados da Assembléia. Lembro-me de ter feito muitas correntes espirituais para atrair, sobre mim e Quinzinho, os expulsos ou deserdados do meu pai. Infelizmente, jamais me deparei com nenhum deles.

Retomei, pois, um velho hábito, embora não se trate, aqui, de expulsar demônios. Tento, apenas, analisar, como numa farsa, o ocorrido, o que, literariamente, seria a mesma coisa. Além disso, não pretendo julgar pessoas, mas, simplesmente, descrever situações. Para amenizar as coisas, não existem, aqui, nem mocinhos nem vilões. Apenas um caso, uma história de vida, sem nenhuma importância, exceto este meu registro.

Escrevo sobre um mundo e um sistema de valores em que me vi envolvido contra a minha vontade e no qual apenas jogava um modesto papel de observador, embora muitas vezes ativo. Mas o jogo sempre me pareceu estranho, na medida em que nunca me entusiasmaram suas regras. Tampouco, tinha consciência de pertencer à massa de torcedores que, ao meu lado, aplaudia ou lamentava o espetáculo, embora a simples percepção do processo me deixasse, por vezes, um pouco lerdo, louco, paralisado, feio, rabugento e inútil.

Tudo começou quando nasci. Não! Na verdade, não nasci. Fui puxado da maré como se fosse um siri. Para que ser tão patético assim e colocar as origens de tudo numa obscura pescaria de subúrbio?
Às vezes, tenho a impressão de que uma das perguntas mais idiotas, que todo mundo se faz, refere-se às razões do local e da época em que nasce, sem acrescentar, naturalmente, a mais idiota de todas, isto é, “por que sou filho de tal ou qual família, por que tenho tais ou quais irmãos, por que me chamo com esse nome, etc”.

Em geral, as razões são muito simples. Como ninguém nasce da pedra, da poeira, da água, da árvore, de um canivete, de uma lata de goiabada ou das páginas de um livro, como seria, aliás, de desejar, a culpa, ou responsabilidade, pertence ao acaso e à necessidade, para reafirmar minha vocação de materialista convicto.

Contudo, esta questão idiota nunca pôde ser respondida, assim tão simplesmente, por mim, desde que fatos excepcionais conduziram todo o meu destino a ter aparecido em Bel-O-Kan, numa determinada época e no meio de um certo tipo de família.

Estou convencido de que o meu nascimento se deveu às mesmas causas que levaram o mundo à Primeira Guerra Mundial e, mais tarde, à Segunda, à Gloriosa Revolução Soviética, ao expansionismo americano, à industrialização do Brasil e aos desequilíbrios regionais, cujo melhor exemplo, como tem sido dito, é o Nordeste. Não incluo a globalização, porque essa história está manjada em demasia.

O meu nascimento, digamos assim, está, portanto, mais ligado a causas bastante ilustres e o mero acaso seria pouco para explicá-lo, como a necessidade, aliás, seria grande demais, pois é forçoso reconhecer que não sou necessário.

Contudo, se não sou produto do acaso nem da necessidade ─ qual a necessidade de um casal ter tantos filhos na época moderna? ─ por que nasci no mangue e, não, noutro lugar do mundo como, por exemplo, na casa do Governador, no Corcovado, perto do Arrudão ou, então, como descendente de escravos em Ipojuca?

Contudo, será que isso é verdade mesmo? E se não for, como é mesmo que toda essa história começou?

Meu bisavô paterno, a quem não conheci, era um jovem e esbelto caçador africano que, por certo, como nos filmes do Art Palácio, vivia a batucar tambores imensos e a solfejar cantigas de amor na língua nagô. Provavelmente, pensava no amor e comer siri com farinha de mandioca, à espera das lindas mulheres que sempre acompanhavam os safáris da época.

Meu padrasto queria fazer a mesma coisa. No entanto, o turismo moderno carioca, que leva estrangeiros pra visitar favelas, jamais chegou por aqui.

Um dia, bêbedo como sempre, jogou-me no rio e gritou:

─ Quem quiser que cuide desse traste!

Vó Dé me salvou novamente, jogando uma tarrafa e me pescando que nem uma tainha.

Se tenho uma tradição, aviso logo que é de natureza trágica: sempre querem me jogar no rio! Qualquer rio, vale dizer. Até um lago, uma lagoa, uma laguna, um córrego, uma fossa, se preciso for — desconfio igualmente das bacias de água. Mas, por motivos misteriosos, nunca me afogo. Meu brasão é a sobrevivência. No entanto, jogar-me no rio era um problema e não era de fácil solução. Era uma questão de fundo teológico. Meu pai bebeu muito, é verdade, mas jamais se furtou às suas responsabilidades metafísicas. Assim, antes de me jogar na água e de eu ser salvo por Vó Dé, debateu com o pastor da Assembléia sobre a querela, embora os dois não chegassem a nenhuma conclusão.

─ E se o bebê se afogar, como ficará sua alminha? ─ Argumentava o pastor.

─ Entra no céu assim mesmo, todo molhado. ─ Respondeu meu pai.

Então, abrindo a Bíblia, leu a história de Moisés, convencendo o Pastor, que ficou encarregado de jogar o menino no Capibaribe.

Parecia, pois, difícil ao jovem Ambrósio Tsé abandonar toda a preguiçosa vida debaixo daquele sol, renunciar à sua pescaria diária, escondê-la dentro de um quarto escuro, onde fazia amor com suas antigas colegas da Escola Dominical ─ longe, é claro, dos olhos de Mãe Teca. E como esquecer as missas lubas, cantadas e recantadas na cabana de palha de estilo espanhol renascentista e, principalmente, das lendas sobre o sempre lembrado continente negro, onde ainda viviam seus ancestrais?

E, contudo, sentia a necessidade de jogar aquele bebê estranho e grudento no rio, ficar livre para percorrer outros mundos, navegar ao vento, pegar as estrelas desconhecidas, pisar descalço outros pedaços de terra, entregar o coração a outras paisagens e a outras palhoças africanas. Saudade do infinito que, ainda jovem, não pudera experimentar.

Assim, despediu-se carinhosamente de Teca, chorou sua necessidade, cantou sua última música, acabada de ser composta, deixando que as notas fossem recolhidas e respondidas pelas águas tranqüilas do Capibaribe. Abraçou, portanto, seu desejo incontido de ser migrante de dois mundos, de muitos, de voltar um dia e de se confessar, talvez, reencontrado consigo mesmo.

Pegou, então, sua jangada e, sem mais angústias, acomodou-se com a mulher do Pastor, o qual, nessas alturas, morria de arrependimento por me ter jogado no rio.

Hoje, o que teria sido meu verdadeiro pai deve ter se mudado para um subúrbio celeste qualquer e duvido muito que não tenha exigido dos anjos ou, até mesmo, do próprio Jeová, um radinho de pilha para ouvir Carlinhos Brown ou, pelo menos na minha preferência, um Pauinho da Viola. Queria continuar ouvindo Ecos da África, seu programa preferido na Radio Jornal do Comércio que, como todos sabem, falava, e continua falando, para Pernambuco, para o Mundo e para as Américas do Sul e Central.

Para o céu, também, segundo desconfio. 

Continua…

DimasLins
  1. Vossa Reverendíssima,

    muito interessantes as vossas memórias. Achei especialmente esclarecedores vossos questionamentos acerca da origem da vida, seguidos da conclusão brilhante de que ela começa com Vó Dé pescando siri com tripa de galinha e apanhando V. Rev.ma.

    Só ficou uma dúvida: de onde vieram Vó Dé e a tripa de galinha? Será que eu devo contactar o psiquiatra de intermares para resolver o que poderia ser um probleminha leve de auto-referência?

  2. Irmanzinha: Vó Dé não veio de canto nenhum. Ela sempre foi um Ser necessário que não precisa dessas coisas. Quanto às tripas de galinha, é fácil. Vieram de uma galinha roubada no quintal do vizinho. Pelo amor de Deus, não procure esse vigarista de Intermares senão vai ficar com insônia pro resto da vida. Minha bênção.

  3. Caro reverendo,

    O seu nascimento está para o Tseísmo como o de Jesus está para o cristianismo. Aliás, percebo a mesma simbologia: palafitas e manjedouras e vaquinhas e siris. Fico me perguntando quais personagens representariam os três reis magos.

    Agora, não sei se são verdadeiras as memórias do referendo, mas desconfio que tudo o que foi dito sobre o psiquiatra de Intermares é a mais pura verdade. Soube, por exemplo, que o psiquiatra foi encontrado vendendo a preços nada populares cana com gás pelas imediações do Arruda, dizendo se tratar do milagroso tônico do reverendo. A procura foi grande e as reclamações posteriores também. Se o tônico do referendo é aquele mesmo, então algo estranho ocorre em Bel-O-Kan.

    Sua bênção,

    Dimas Lins

  4. O Psiquiatra de Intermares lamenta profundamente o fato de a Reforma Psiquiátrica ter-lhe arrancado seus poderes mutantes de internação, do contrário todos estariam, nesse momento, internados no Asilo de Rio Tinto (Dimas estaria com uma camisola de força, como dizem os portugas — o cabra é lelé da cuca). Aliás, dizem que a toda-poderosa coordenadora do PPGS da UFPE passou por lá. Parece que fugiu e, há boatos, vive a catar siri na Baía da Traição…

  5. Cristianismo?
    Não seria Judaismo?
    O homem se chama Moisés Siri, apareceu num cesto dentro do rio, sarará numa família de negros….

    Dizem os boateiros de plantão lá no Arruda, que a diretoria diminutiva e o técnico (risos) Bagé, num gesto deseperado, recorreram a esse tônico. Todos, especialmente o técnico, endoidaram o cabeção e o Santa foi pro buraco.

    Há quem defenda o tônico do psiquiatra e diga que beberam uma versão piratex, feita com água do canal. Não sei se procede.

  6. Irmão Dimas: Não blasfeme! Não blasfeme! Eu, Tsé-Tsé, estou vivinho da silva, embora adoentado gravemente por razões já conhecidas. Porém, o nascimento de Josué, vulgo Jesus, é muito diferente. Ninguém sabe, ninguém viu. Sempre achei, desde meus tempos de Seminário, a história do Cristianismo muito mal contada. A começar pelo tal nascimento. Por isso mesmo, devo confessar que, salvo a presença do jovem naturalista inglês, não havia nenhum mágico por perto. Apenas uma velha senhora me pescou e nada mais. O tônico de nosso Laboratório era ótimo, feito para evenenar a Coisa. Mas, um vigarista qualquer, e o irmão acertou na mosca (O Psquiatra de Intermares!) fez um molho de mosca torrada, encontrada na praia, e misturou com o tônico. Daí, a lamentada queda de nosso velho Santinha. Não culpe, pois, nosso Laboratório de renomada reputação. O tônico era bom. O vendedor não passava de um falsificante de bebidas. Minha bênção.

  7. Irmão Alienista: Fiquei curioso em saber quem é essa tal de “todo-poderosa coordenadora do PPGS”. Será algum programa do PAC? Seria ela a prima da Roussef, que manda em tudo e em todos? Ou será fruto de uma simples ressaca em que o irmão confunde Vinho Tinto com Rio Tinto? Quanto à baía da Traição, seria bom interrogar novamente Calabar, nosso maior herói nordestino, que, como todos sabem, também esteve por lá. Minha bênção.

  8. Irmão Alienista: Fiquei curioso em saber quem é essa tal de “todo-poderosa coordenadora do PPGS”. Será alguma coisa relativa ao PAC? Será a prima da Roussef que, segundo dizem, manda em tudo e em todos? Ou será uma simples ressaca quando o irmão confunde Vinho Tinto, com Rio Tinto? Quanto à baía da Traição, pergunte a Calabar, o maior herói nordestino de todos os tempos.

  9. Irmão Ducaldo: Claro que procede! Mas não foi água podre do canal e, sim, molho de mosca torrada que botaram no saudável tônico de Nosso Laboratório. O irmão sabe quem foi o autor da falsificação, né mesmo? Quanto à primeira observação, devo dizer que não se trata de Cristianismo nem de Judaísmo, ambos equívocos históricos. Trata-se do Palafiteísmo, nova filosofia criada às margens do Capibaribe. Moisés Siri não passa do meu pseudônimo. Meu verdadeiro nome é impronunciável e, por isso mesmo, não posso decliná-lo em Português. Faz parte dos nomes próprios das “línguas estranhas” faladas pelos crentes da Assembléia de Deus e da Igreja Universal do Reino do Mesmo. No fundo, o irmão tem razão. Tratava-se de um tônico pirata, destilado pelo lamentado irmão Bajé. Minha bênção.

  10. Reverendo,

    Uma coisa me impressiona e, por isso, gostaria de saber sua opinião. O fato marcante é o sumiço do Psiquiatra de Intermares. Desapareceu, escafedeu-se!

    Ele não é mais encontrado no Blog dos Perrusi, no Torcedor Coral, nas rodas de bares, nem confraternizações de fins-de-ano. Bem, essa última ele nunca foi encontrado mesmo. Ainda assim, me preocupo.

    Falam em abdução. Outros dizem que ele fugiu com uma sereia de Intermares. Liguei para sua casa, mas ao perguntar sobre esta versão, uma voz feminina foi logo me respondendo: “sereia, uma ova! Eu quero saber quem é essa sirigaita!”.

    Confesso que estou espantado. Será que o psiquiatra anda fugindo da polícia por causa das vendas do tônico pirata? Ou o psiquiatra, de tão doido, se internou?

    Mande notícias!

    Sua bênção,

    Dimas Lins

  11. Broda e demais assíduos (ui…).

    Como é de conhecimento de todos, principalmente de meus credores, fiquei desempregado da informática e entrei no ramo (eles usam essa palavra o tempo inteiro!) dos seguros, o que me obriga a prestar um exame fudidaço (fi-lo semana passada) para poder atuar de forma independente.

    Mais de 30 apostilas em 2 meses, fiquei “exilado” na chácara estudando e bebendo dia e noite e, agora, enquanto aguardo o resultado, voltei a vida normal.

    Estou de volta para a chácara depois de uma semana na cidade grande para os ditos exames (que horror!) e, fazendo uma feijoada no fogão a lenha e tomando um “Jaques Daniel” que ganhei das minhas filhas (sim, elas me entendem!), resolvi meditar sobre a vida e voltei ao site do Broder Perrusi.

    Sei que é tarde para retomar o tema dos gays, ainda mais que um deles, que renega por sinal, foi eleito na minha ex cidade (vou transferir meu título pra Atibaia).

    Mas um pequeno pitaco para a moçoila (que por sinal foi muito gentil na resposta, puxa…) sobre os ditos cujos:

    Tomara que nunca seja necessário uma surra para caracterizar preconceitos.

    E sobre Gabeira, acho que ele ganhou sem levar, ou seja, saiu muito mais realizado do que se tivesse ganho. Na verdade gosto dele, só acho que não pode apontar o dedo sujo pra falar em alianças pragmáticas porque quando fopi de seu interesse andou abraçado m(literalmente!) pelos corredores do planalto central com gente que me dá vontade de vomitar.

    Broder, não conheço a figura que vai ou foi parar no Santinha, sorry.

    Quanto aos eventuais sumiços de psiquiatras, acho que eles, ao darem perdidos, estão cobertos de razão: que saco deve ser aguentar a conversa alheia e “precisar” dar a elas importância rsrsrsrs

    Bem, voltei, vou frequentar e espero ter novas crônicas para publicar em breve.

    Beijos e saudações atibaienses.

  12. Eu ri por você saber de certas coisas que ao meu ver não saberias. Essas certas coisas não se sabem sendo um observador participante – me des-culpem! Só se sabe quem (re)vive e/ou já (re)viveu.

    Devemos ter frequentado a mesma E.D em épocas, espaços e idades diferentes.

    Prazer te perceber por aqui e lá fora!

Deixe um comentário para O Alienista