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Livro da Semana: Giorgio Agamben – Homo Sacer

3 comentários

Agamben é conhecido como o Foucault italiano. Já li seu livro “Estado de Exceção” — posso dizer que provoca, por isso é interessante. Discuti suas posições num curso da pós-graduação e gerou muita polêmica.

Transcrevo abaixo a orelha do livro Homo Sacer, escrita por Raul Antelo (quem entendê-la é um Homo Estupendi ):

Jean-Luc Nancy define Giorgio Agamben como um agudo flâneur que atravessa, solitário, o campo do pensamento, reparando nos mínimos detalhes. Sua deriva significa pasearse no mundo das coisas.

O próprio Agamben lembra que uma única vez usou Spinoza o vernacular ladino. Foi em Compendium grammatices linguae hebrae para ilustrar que o verbo ativo reflexivo era uma expressão da causa imanente. Pasearse é a palavra espanhola que lhe vem à mente para mostrar uma relativa indecibilidade entre meios e fins, entre atualidade e potencialidade, entre sujeito e objeto. A vertigem da imanência é assim atualizada por um verbo que descreve o movimento infinito da autoconstituição e automanifestação do ser. A vida consiste em pasearse. Alguém muito próximo de Agamben, Guy Débord, fez dessa premissa uma doutrina, a deriva situacionista.

Em Homo Sacer, Agamben se passeia pela vida.  A seu ver, ela não pode mais ser tomada como noção médica ou científica. Os atributos da filosofia e da política (descontando os teológicos, herança benjaminiana muito viva em Agamben) lhe são muito mais específicos. Impossível, portanto, distinguir entre vida animal e humana, entre vida biológica e contemplativa. A vida e a teoria precisam ser pensadas em um novo plano de imanência, o da nuda vita.

Ser um filósofo da imanência, como Spinoza, Nietzsche, Foucault ou Deleuze (com quem aliás escreveu, a  quatro mãoss, um belo ensaio sobre Bartleby), torna Agamben um agudo perscrutador da indecibilidade. Seus ensaios sobre o fim do poema ou o cinema de Débord são eloquentes testemunhos dessa sensibilidade.

Homo Sacer integra uma trilogia com Notas sobre a política O que resta de Auchwitz. No segundo volume da série, o ato de pasearse não se detém nem mesmo perante o campo de concentração ou o conceito de povo. Define o povo como uma cisão biopolítica incontornável no mundo contemporâneo: ele é tanto aquilo que não pode ser incluído no todo de que faz parte quanto aquilo que não pode pertencer ao conjunto em que, mesmo assim, permanece, excluído e indesejado. Ettore Finazzi-Agrò viu essa definição de uma não deliberada leitura de Os Sertões. Por múltiplas razões, a imanência de Agamben implica pasearse através de nossa própria vida.

InscritosEmPedra
  1. André Tricolor Virtual

    Grande ‘Artur’ ,

    Adoro livros provocadores, pois assim percebo que ainda não sou um ‘Homo Estupendi’ e sim um ‘Homem Estúpidus’ , quem sabe daqueles que deseja aprender apenas e um pouco mais (rsrsrs) !!!!

    … “se passeia pela vida”

    Taí um grande mitivo pra se viver e aprender !!!!

    Abraços meu amigo !!!!

  2. O cara que escreveu a orelha é o guru de Bagé. Por isso, até hoje ninguém conseguiu entender nada do que ele fez.

    Vôte!

  3. Eu não entendi nada. Copiei como quem copia hieróglifos.

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