150 anos da Teoria da Evolução
Por Perrusi Pai
Em 1º de Julho de 1858, Charles Darwin e Alfred Russel Wallace, de comum acordo, leram duas comunicações, praticamente idênticas, na Sociedade Lineana de Londres. Ambos os naturalistas chegaram à conclusão de que a vida na terra evoluíra, do simples para o complexo, através do mecanismo da “seleção natural”.
Na verdade, a idéia de evolução já permeava quase todo o pensamento científico do século XIX. Faltava precisar o conceito e definir os mecanismos naturais que a permitiam. É justamente sobre tais assuntos que os dois naturalistas, já famosos no Velho Mundo, escreveram.
É ainda controverso quem primeiro formulou a teoria da Evolução, se Darwin ou se Wallace. Este último preocupava-se mais com viagens exploratórias, enquanto Darwin, depois de sua célebre viagem ao redor do mundo, a bordo do Beagle, juntava fatos, experimentava com pombos e consultava uma ampla bibliografia.
Contudo, é a publicação (1859) do célebre livro de Charles Darwin “A Origem das Espécies”, fruto de mais de dez anos de pesquisas, que marca o ponto revolucionário no estudo da natureza vivente.
Daí em diante, embora incompleta, a Evolução derrubou, de uma só vez, quase todos os mitos criacionistas, explicando com uma simples idéia, que pode ser testada (como de fato vem se fazendo em todos os laboratórios do mundo, inclusive no Brasil), como a vida teria surgido de um ancestral comum. Não se precisava mais da intervenção sobrenatural divina para saber como a enorme variedade de animais e vegetais e, principalmente, a espécie humana teriam surgido no planeta.
Idéia simples, porém altamente perigosa para a ortodoxia religiosa, a Evolução, pouco a pouco, foi conquistando as academias e a mente das pessoas cultivadas, embora muitas vezes não chegasse a destruir a crença em divindades intervencionistas. De fato, a Evolução não explica como a vida surgiu. Nem tenta! Ela simplesmente procura explicar como a vida, já formada, evoluiu de formas simples para formas complexas ao longo de milhões de anos.
O mecanismo descoberto por Darwin e Wallace, em síntese, pode ser descrito como uma adaptação dos mais aptos e, não, necessariamente dos mais fortes (como às vezes se pensa), aos nichos ambientais em que viviam e que variavam ao longo do tempo. Isso quer dizer simplesmente que as espécies que, por acaso ou por necessidade, se adaptavam melhor ao meio ambiente seriam mais capazes de se reproduzir em detrimento daquelas que, incapazes de adaptação, extinguiam-se com mais facilidade.
A poderosa idéia de Darwin, como a denominou Dennet, tornou claro o que estava envolto num manto obscuro de mitos, especialmente, os bíblicos com a célebre estória de Adão e Eva. Se pensarmos um pouco mais, chegaremos a ver que a Teoria da Evolução derruba, igualmente, o mito do “pecado original”, sob o qual se ergue, a partir de Saulo de Tarso e, principalmente, de Santo Agostinho, a própria idéia da salvação cristã.
Por outro lado, tornando legítima, cientificamente, o conceito de Evolução, o darwinismo penetrou em outras ciências, como a Paleontologia, a Paleoantropologia, a Cosmologia e, em conseqüência, a Física e a Química, a Psicologia, a História, entre outras e, especialmente, a Biologia que se completa depois da descoberta dos genes por Mendel.
Sem a Evolução, praticamente a Biologia não subsiste como ciência experimental aceitável, por exemplo.
Mas, o caminho da Evolução foi lento e controverso até a década de 1950, quando Ernst Mayr realizou a “grande síntese” das diversas e díspares correntes evolucionistas. Depois disso, com muitas modificações, a Teoria da Evolução passou a ser aceita entre a esmagadora maioria dos pesquisadores, salvo, é claro pelos fundamentalistas criacionistas, hoje aformozados com o seu “design inteligente” que se pretende passar como ciência tanto quanto o evolucionismo biológico.
Na verdade, a Teoria da Evolução suportou a crítica ferrenha da ortodoxia religiosa durante os últimos 150 anos e, contudo, até hoje, continua gozando de excelente saúde.

21 de julho de 2008, às 13:03h
Até que enfim o blog voltou “ao ar” !!!
21 de julho de 2008, às 16:29h
Fomos “sequestrados”. Ficamos sem “nome”, já que sem endereço. A única coisa interessante foi a lourinha do site alemão. Ela foi muito gentil e disse que escreveria para o blog. É especialista em estórias picantes.
21 de julho de 2008, às 16:43h
Ela deveria ser adotada como a mascote do blog, por sua gentileza e generosidade. Mas quem vai traduzir do alemão as histórias picantes?
21 de julho de 2008, às 16:50h
Eu estudei alemão no Colégio de Aplicação… Ela ficou fascinada com essa informação.
Outra possibildiade é Afta, já que descende de Jenny von Westphalen, a mulher de Marx. _Sei até tratar furúnculos! Disse uma vez, toda sapeca. É uma tradição, na família de Afta, o tratamento da furunculose. Como sabemos, até hoje a burguesia lamenta os furúnculos marxistas.
21 de julho de 2008, às 19:29h
Eu teria enorme prazer (ops…) em partilhar com Afta a tradução. Não conheço nada de alemão, mas isso seria secundário.
21 de julho de 2008, às 19:53h
Vale lembrar que a teoria da evolução também influenciou a Criminologia através de Lombroso, o mais célebre e talvez o mais discutido representante das teorias constitucionalistas. Para explicar o “tipo criminoso”, Lombroso recorreu à teoria da evolução segundo a qual existe uma continuidade essencial entre os animais irracionais e o homem, isto é, o homem reproduz fases verificadas em sua origem. Daí a sua conclusão: o crime é fenômeno atávico. Isso pode parecer estranho mas, às vêzes, nos deparamos com comportamentos humanos que se encaixam perfeitamente nessa visão lombrosiana. Olhe em sua volta e verá! Um abraço para os Perrusi. Feliz por ver o blog de volta. Erínia.
21 de julho de 2008, às 22:44h
Acho que Erínia refere-se a… Daniel Dantas.
Por outro lado, lembro a frase de Frans de Waal, grande etologista holandês: “não somos descendentes de macacos. Somos sim um tipo de macaco”.