150 anos da Teoria da Evolução
17 de julho de 2008, às 8:06hPor Perrusi Pai
Em 1º de Julho de 1858, Charles Darwin e Alfred Russel Wallace, de comum acordo, leram duas comunicações, praticamente idênticas, na Sociedade Lineana de Londres. Ambos os naturalistas chegaram à conclusão de que a vida na terra evoluíra, do simples para o complexo, através do mecanismo da “seleção natural”.
Na verdade, a idéia de evolução já permeava quase todo o pensamento científico do século XIX. Faltava precisar o conceito e definir os mecanismos naturais que a permitiam. É justamente sobre tais assuntos que os dois naturalistas, já famosos no Velho Mundo, escreveram.
É ainda controverso quem primeiro formulou a teoria da Evolução, se Darwin ou se Wallace. Este último preocupava-se mais com viagens exploratórias, enquanto Darwin, depois de sua célebre viagem ao redor do mundo, a bordo do Beagle, juntava fatos, experimentava com pombos e consultava uma ampla bibliografia.
Contudo, é a publicação (1859) do célebre livro de Charles Darwin “A Origem das Espécies”, fruto de mais de dez anos de pesquisas, que marca o ponto revolucionário no estudo da natureza vivente.
Daí em diante, embora incompleta, a Evolução derrubou, de uma só vez, quase todos os mitos criacionistas, explicando com uma simples idéia, que pode ser testada (como de fato vem se fazendo em todos os laboratórios do mundo, inclusive no Brasil), como a vida teria surgido de um ancestral comum. Não se precisava mais da intervenção sobrenatural divina para saber como a enorme variedade de animais e vegetais e, principalmente, a espécie humana teriam surgido no planeta.
Idéia simples, porém altamente perigosa para a ortodoxia religiosa, a Evolução, pouco a pouco, foi conquistando as academias e a mente das pessoas cultivadas, embora muitas vezes não chegasse a destruir a crença em divindades intervencionistas. De fato, a Evolução não explica como a vida surgiu. Nem tenta! Ela simplesmente procura explicar como a vida, já formada, evoluiu de formas simples para formas complexas ao longo de milhões de anos.
O mecanismo descoberto por Darwin e Wallace, em síntese, pode ser descrito como uma adaptação dos mais aptos e, não, necessariamente dos mais fortes (como às vezes se pensa), aos nichos ambientais em que viviam e que variavam ao longo do tempo. Isso quer dizer simplesmente que as espécies que, por acaso ou por necessidade, se adaptavam melhor ao meio ambiente seriam mais capazes de se reproduzir em detrimento daquelas que, incapazes de adaptação, extinguiam-se com mais facilidade.
A poderosa idéia de Darwin, como a denominou Dennet, tornou claro o que estava envolto num manto obscuro de mitos, especialmente, os bíblicos com a célebre estória de Adão e Eva. Se pensarmos um pouco mais, chegaremos a ver que a Teoria da Evolução derruba, igualmente, o mito do “pecado original”, sob o qual se ergue, a partir de Saulo de Tarso e, principalmente, de Santo Agostinho, a própria idéia da salvação cristã.
Por outro lado, tornando legítima, cientificamente, o conceito de Evolução, o darwinismo penetrou em outras ciências, como a Paleontologia, a Paleoantropologia, a Cosmologia e, em conseqüência, a Física e a Química, a Psicologia, a História, entre outras e, especialmente, a Biologia que se completa depois da descoberta dos genes por Mendel.
Sem a Evolução, praticamente a Biologia não subsiste como ciência experimental aceitável, por exemplo.
Mas, o caminho da Evolução foi lento e controverso até a década de 1950, quando Ernst Mayr realizou a “grande síntese” das diversas e díspares correntes evolucionistas. Depois disso, com muitas modificações, a Teoria da Evolução passou a ser aceita entre a esmagadora maioria dos pesquisadores, salvo, é claro pelos fundamentalistas criacionistas, hoje aformozados com o seu “design inteligente” que se pretende passar como ciência tanto quanto o evolucionismo biológico.
Na verdade, a Teoria da Evolução suportou a crítica ferrenha da ortodoxia religiosa durante os últimos 150 anos e, contudo, até hoje, continua gozando de excelente saúde.



