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Queimar a rodinha

2 comentários

Não gosto muito de São João. Desde pequeno, aliás. As comidas são primitivas, o forró é uma música absolutamente repetitiva e sua dança não tem muita graça. Forró só não é pior do que o frevo, e este só perde para a pernambucanidade. Além disso, na festa junina, há milênios, anunciando os novos tempos, queima-se a rodinha. A liberdade é total: todo mundo pode queimar a rodinha à vontade, sem constrangimentos, sem repressões, sem ninguém pra ficar dando pitaco. Claro, nos outros meses, é estranho fazer tal coisa, mas queimar a rodinha, em Junho, esteve sempre liberado! Agora compreendo por que fulano sempre afirmou que a melhor festa do Brasil era o São João.

– Ah, Artur, queimar a rodinha tem a ver com liberdade, sei lá… Liberdade é a liberdade de queimar a rodinha. É uma sensação tão agradável, super gratificante, arrepiante. Entre a poesia de Borges e a prosa de Lautréamont, sempre dou um jeito de queimar a rodinha – dizia o ninfeto.

(rodinha: peça pirotécnica que gira ao acender-se o rastilho de pólvora enrolado a um disco de papelão ou a uma rodinha de madeira – daí o nome. Para queimá-la, pega-se um cabo de vassoura, bota-se um prego na ponta e a rodinha na ponta do pau (ops!). Então acende-se o fogo na beirinha da rodinha, com muita paciência e cuidado, e pronto!, ela gira feito louca, soltando faíscas e fazendo uma zoada da bexiga. O espetáculo é intenso, e todo mundo nota que você está queimando a rodinha)

Torcedor
  1. O forró é tão lascivo que ultrapassa o conceito de dança. Com aquele encaixe de coxa e aquele rebolado grudado a dois, mais que dança ele é um ritual de fertilidade de tão libidinoso. Ora essa, aí me vem esse cidadão depreciar uma instituição assim tão culturalmente rica, só pode ser mesmo um cabra chegado nessa história de queimar a rodinha.

  2. André Tricolor Virtual

    … Adoro a Festa Junina e o forró nem se fala, quando acaba a farra meu ‘bráulio’ tá todo roxo !!!!

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