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A horta do Reverendo Tsé-Tsé: visita às palafitas.

7 comentários

Incrível, descubro agora que o Reverendo não caçava filhotes de búfalo na África do Sul, nem mesmo, por algum sortilégio, transformara-se numa lagartixa (há dúvidas, há dúvidas…).

Perrusi-Mor, enfim, esclarece o imbróglio:

Preocupado com a prolongada ausência do Reverendo Tsé-Tsé, vilipendiado como jacaré, lagartixa e outros bichos pelos amigos de Artur, resolvi visitá-lo em Bel-O-Kan. Na verdade, minha visita de caridade foi encorajada pelos apelos afetuosos de uma menina do bairro chamada Marília que pedia, quase chorando, a volta do Reverendo.

Como não havia estrada, fui no catamarã “Dona Lindu” da Prefeitura, aproveitando uma excursão ecológica das meninas do Prefeito Levitante.

Cautelosamente, aproximei-me das palafitas e perguntei a Zé Malandro, que estava pescando siri, o que havia com o Reverendo.

— Sei não! Tá lá deitado há mais de mês, chamando por uma tal de Doutora Dilma, Doutora Vilma, sei lá. Mas, entre Irmão! Ele vai ficar contente com sua visita. E desculpe o fedor que sobe de nossa horta, orgulho da comunidade. Não sei se o senhor já sabe, mas batemos o recorde de um quiabo de um metro e meio, dois maxixes de dois quilos e trezentas e cinco tomates de um quilo cada uma.

Interrompendo a falação de Zé, encaminhei-me para a casa do Reverendo. Quim estava por lá, com ar desolado e inútil, mas logo me reconheceu. Deu-me um banco todo rebentado e sentei-me na cabeceira do ilustre personagem. Um horror! Tsé estava todo amarelado, batina rasgada, rosto escamado, unhas imundas, mãos esfiapadas, pés com chagas purulentas e deitado de barriga pra cima. Percebi logo o tamanho enorme da barriga e já fui pensando no pior.

Mesmo sem luvas, acariciei os cabelos sujos e desgrenhados do amigo e perguntei carinhosamente:

— Reverendo! O que está havendo com o senhor?

— Doutora Dilma! Doutora Vilma! — Ficou murmurando com um fio de voz.

Fui mais enérgico e lhe disse:

— Tão dizendo que o senhor virou uma lagartixa. E pare com essa ladainha que não há nenhuma santa com esse nome.

Tse-Tsé, a muito custo, virou-se na cama de palha e me disse:

— Tão me perseguindo, Irmão. Tô escondido pra não morrer mais cedo. Só quero ir na minha hora. Doutora Dilma! Doutora Vilma! — Terminou de falar.

E não saía disso.

— Tudo bem, Tsé! Vou chamar o Arcebispo. E se não der jeito, chamo Bento. Não tem saída!

— Não, não e não! — Animou-se o Reverendo. — Tudo, menos esses dois sacripantas.

Achei melhor pedir auxilio a um especialista. Peguei meu celular e chamei o irmão Perrusi Filho, ilustre Psiquiatra, que estava atrás de um doido no Bairro da Madalena. Meia hora depois, ele chegou esbaforido e ficou também horrorizado.

— Ah! Se eu soubesse, se eu soubesse! — Disse, talvez arrependido de tanta besteira que havia escrito sobre o desaparecimento do Reverendo.

Botou a mão na testa do reverendo. 42 gráus de febre se não for mais. Apalpou a barriga do reverendo que estava dura como uma pedra. Depois, virando-se para Quim, perguntou:

— Há quanto tempo que Tsé não evacua?

— Num sei! Aqui, a gente não costuma fazer isso não. — Respondeu o ignorante curandeiro.

O ilustre Psiquiatra pediu-me pra agüentar a barra e saiu apressado. Depois de meia hora, voltou com uma seringa tamanho família, duas bisnagas de um litro de glicerina e uma mangueira PVC, a única coisa viável que encontrou numa loja de construção.

Com a ajuda de Quim, virou o paciente de costas e, Pimba!, injetou os dois litros de glicerina no fiofó de Tsé-Tsé. Pediu ao curandeiro que trouxesse dois penicos bem grandes e mais um de reserva.

Meu amigo começou a se contorcer, dando gritos e vivas a Doutora Vilma. Logo logo, começou a exalar um cheiro horrível, mas não resistiu. Sentamos o homem no primeiro penico que logo esborrou. Veio o segundo e foi a mesma coisa. Já o terceiro ficou somente na metade.

— Bota isso na rua mesmo, Quim. O prefeito adora esse tipo de coisa. — Falou Perrusi Filho.

— De jeito nenhum! Adubo dos bons pra nossa horta. Com tanto material, vamos bater novo recorde de jerimum. — Depois, trouxe-nos dois copos de chá de folhas de mangue, que, gentilmente, recusamos.

Tsé estava mais calmo, o amarelado sumia e já respirava com mais facilidade. Parou de resmungar e queria dormir. Perrusi Filho disse que, depois de pegar mais cinco doidos fugidos da Casa São José, voltaria à noite pra ver o paciente.

Antes de sair, me disse:

— O que me intriga é a enorme cicatriz na barriga do Reverendo e uma coisa bem durona por debaixo. Pensei que ia sair tudo mas o troço ficou. Preciso consultar uns colegas da Faculdade. Além disso, ele está com a síndrome dilmorréiensis, uma epidemia nacional, aliás. A TV dá todos os dias. Mais ainda, sinais de pânico, medo de penico e uma escamação estranha no rosto e nos braços que só pode ser sintomas de uma alergia ao Nosso Líder. O mais grave é a primeira que não sei de onde vem. Talvez alguma beata com nome de Dilma ou Vilma esteja mexendo com a cabeça dele. Medo de penico e a alergia é porque ele ouve o “Café da Manhã” do Presidente que só diz merda mesmo. Não sei por quê, ele resolveu guardar tudo na barriga.

Pacientemente, fui olhar o Capibaribe, verdinho, verdinho, com a despoluição feita pelo Prefeito com as verbas do PAC. Pesquei dois camurins bem graúdos e mandei assar pro jantar de Tsé. Duas horas depois de sono, o Reverendo me chamou:

— Obrigado, Irmão! O senhor me salvou. — Disse, quando mal entrava no quarto.

— Quê nada, Reverendo! É que o senhor esqueceu de fazer suas obrigações barrigais. Mas, parece que houve qualquer coisa estranha que o senhor não me contou. Perrusi Filho, Doutor de Faculdade, viu uma cicatriz e uma espécie de tubo duro que nem aço na sua barriga. Ou conta, ou vou embora de vez. — Respondi.

— Irmão! Pro senhor, eu conto. Mas só quando me recuperar na próxima semana. Mando uma carta pro Blog confessando tudo.

Voltei pra casa mais aliviado, pensando na tal da Dilma ou Vilma. Seria aquela beata gorducha com óculos de garrafa cujo retrato estava na cabeceira do Reverendo? E como Tsé-Tsé iria se impressionar com aquela feiúra, com tantas beatas graciosas nas palafitas? E Marocas? O que ela pensaria disso tudo.

Sementeiras
  1. Hahahahaha. A menina Marília agora pula de alegria, parou, enfim, de chorar e agradece a caridade de Perrusi-Mor, ao menos ele se mexeu e foi até às palafitas para nos dar notícias do Reverendo. E que notícias nojentas…Eca!!!

  2. Perrusi Pai,

    Bom saber notícias do reverendo. Estávamos todos preocupados com o seu sumiço. Agora resta tomar cuidados com as frutas acima de 2 quilos vendidas na Ceasa.

    Ah, soube que o doidinho que Perrusi Filho estava à procura não estava mais na Madalena, mas sim pelas bandas do Arruda. E dizem que, além das loucuras, ele anda fazendo merda como o quê. Mas um a colaborar com a horta de Bel-O-Kan.

    Abraços e a benção ao reverendo.

    Dimas

  3. Sei não… pra mim o Reverendo estava isolado e preparando seu coração para as batalhas das próximas quartas, quando o Corinthians o Leão decidem quem estará na Libertadores de 2009.

    Serão duas noites em que Artur será visto perambulando por intermares perguntando aos céus porque a vida em 2008 está sendo tão cruel com ele…

    Vai ser divertido.

  4. Se o Timão não ganhar da cachorra de peruca… Não será divertido. Infelizmente, a coisa é favoritíssima; afinal, jogará contra um clube da série B. Bem, de todo modo, pela primeira vez na minha vida serei um fervoroso corintiano.

  5. Broder: folgo em vê-lo torcer por um time da série B. É, afinal, uma forma de matar a saudade dessa série aha aha ah Ops….

  6. A série Catota é a divisão mais nacional do fut brasileiro, meu caro. Jogaremos em todos os recantos desse país varonil. Faremos a integração nacional — em Patos, nos Confins dos Infernos (lugar bem legal, por sinal), no Acre e em Rondônia. Salvaremos, inclusive, a Amazônia das ongues integristas e dos militares. Jogaremos no asfalto da Transamazônica! Nosso papel é glorioso.

    E o Palmeiras vai bem?

  7. Ah, os delírios do Reverendo estão de volta! Azul, amarelo, branco, preto, não importa: é sempre o Reverendo e sua irreverência.
    Obrigada, P.P., por nos trazer de volta o Morfeu de Bel-O-Kan. Mas precisava mesmo colocar dois litros de glicerina? Temo pelo futuro da Marocas.

    Benção!

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