Intimidade
O que é a intimidade? Bem, seria um fenômeno essencialmente dialógico: “é uma questão sobre o que partilhamos, sobre o que é para nós”. Intimidade é contar segredos. Ao contá-los, ultrapassamos o mero plano individual. E só podemos contá-los numa conversação; ora,
“uma conversação não é a coordenação de ações de indivíduos diferentes, mas uma ação comum nesse sentido forte, irredutível; é nossa ação”.
A conversa é como a dança: sempre inaugura uma ação comum. Assim, a intimidade é contar um segredo pessoal numa conversação, tornando-o uma ação comum, nosso segredo. Por isso, não se conta um segredo para um espelho (bem, já contei, mas não obtive resposta). Contá-lo sem intimidade seria o cúmulo da solidão — é preferível o espelho.
Sim, nunca poderemos descrever a intimidade em termos monológicos. Não é minha intimidade, mas sim, sempre, nossa intimidade. Ela surge ali no milímetro que nos separa — sem ela, esse milímetro vira um abismo.
Mas existe, sim, solidão a dois, justamente quando o casal ou a amizade perde a intimidade. A perda da intimidade é uma espécie de morte, pois se perdeu algo mais do que a simples junção de afeto de duas pessoas. Perdeu-se um nós irredutível à nossa individualidade e, até mesmo, à nossa interação afetiva. Por isso, a perda da intimidade é tão dolorida. Perde-se um fundamento para o outro.
E o outro é fundamental à nossa existência.

12 de maio de 2008, às 0:24h
Acredito que entre a nossa intimidade, a que deve ser sempre ‘privada’ é quando se entra literalmente na ‘privada’ a fim de descarregar vestígios do sarapatel do final de semana! Isso a nossa mulher não precisa participar! Senão o ‘romantirmo’ vai por água abaixo, ou melhor, pela ‘descarga’ abaixo!
13 de maio de 2008, às 9:25h
Andrezinho, concordo contigo: não se partilha o vômito, principalmente jorro de bile com sarapatel. Não há intimidade que aguente! Partilhar vômito e escova de dentes é intimidade de comunista.