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A horta do Reverendo Tsé-Tsé: O Martírio do Reverendo

31 de maio de 2008, às 19:07h


Tsé-Tsé, tentando fugir de Marocas

 

Por Perrusi Pai, Mor, Mer, sei lá…

Exatamente um mês depois de minha visita, Tsé-Tsé me escreveu duas cartas, aparentemente amalucadas, com fortes pressões paranóides, embora com um estilo bastante elegante. Em primeiro lugar, ele reverbera contra o Blog que me chama de Perrusi Mor. Depois se emociona com a menina que pede sua volta e concorda com outra menininha, cujo nome esqueceu, que sugere que ele teria virado um crocodilo.

De fato, como ele afirma, era isso mesmo que sentia depois de tudo por que passou. Um crocodilo escondido debaixo da cama, sem rabo, sem dentes, com as patas cheias de rachaduras e com um mau hálito desgraçado. Finalmente, faz uma grave denúncia, acusando Perrusi Filho que, como Psiquiatra,  receitara-lhe alguns alucinógenos que o levaram a pesadelos indescritíveis. Tse-Tsé acusa Perrusi Filho de querer se vingar, porque ele afirmara, durante uma consulta noturna anterior, que o Santa Cruz estava sendo usado como adubo em sua horta comunitária.

Na verdade, já curado de tudo por efeito dos chás miraculosos do Dr. Quim, ele começa a carta falando de fatos, a meu ver, oníricos, sem juntar coisa com coisa. Depois, retoma a razão de sempre e reassume a presidência de sua ONG de Proteção aos Sapos. Não sei o que pensar disso tudo, exceto levantar uma pequena e, talvez, irrelevante hipótese de que nosso país enlouqueceu de vez. E com o país, o Blog, os Perrusis Mor e Mir e, até mesmo, o próprio Reverendo.

Transcrevo apenas os principais trechos das cartas para não encher o saco dos leitores.

Primeira Epístola Universal do Rev. Tsé-Tsé.

Irmãos:

Não sei se pesadelo ou realidade, o fato é que, depois de tomar umas pílulas trazidas pelo Psiquiatra de Intermares, ouvi, de repente, os gritos confusos de Marocas sobre o transatlântico “EMOÇÕES” de Roberto Carlos.

- Que saco! — Resmunguei.

Detesto a mania de Marocas por tal canastrão. De qualquer forma, corri para a varanda de nossa palafita e, por incrível que pareça, lá estava o grande navio ancorado na margem oposta do rio despoluído, todo brilhante e colorido.

Chamei Dr. Quim. Só podia ser miopia ou alucinação. Não era! Do navio, uma lanterna apagava e acendia em nossa direção. Nosso curandeiro interpretou como sinais de morse, perguntando sobre os quiabos de um metro e meio de nossa horta comunitária, plantada, com adubos naturais, no mangue bem abaixo das palafitas. Não sei por que apenas se interessavam pelos quiabos. E nossos maxixes de dois quilos e meio? E nossos tomates do tamanho de melancias? Explicaram que eram ordens de RC que queria comprar um quiabo gigante.

— Pra meter aonde, ninguém sabe…— Resmungou Zé malandro.

Segundo Quim, tratava-se de um agente da Vigilância Sanitária que viria no dia seguinte inspecionar nossa plantação. Que viesse! Esperava apenas não ter tonturas nem dores abdominais que, de vez em quando, me acometiam. Não que atrapalhassem meu trabalho assistencial, mas Quim insistia que eu fosse fazer exames no tal Hospital, onde doei minha vesícula e cujo diretor era muito amigo de Zé.

Na verdade, nem esperei que a Vigilância chegasse. De madrugada, fiquei tonto novamente e Quim me fez beber dois copos de chá de folhas do manguezal por causa das dores infernais de minha barriga.

Foi o jeito! Zé Malandro foi na frente pra falar com o Hospital. Logo depois, peguei minha Lambreta e fui com o Dr. Quim na garupa para uma consulta. E foi aí que tudo começou. Um drama desgraçado de ruim que só pode acontecer a um pobre sacerdote excomungado como eu.

Na rua do Hospital de gente rica, senti-me tonto de novo e cai da Lambreta bem no meio de uma poça de lama, defronte de um ambulatório da Igreja Universal do tal bispo de não sei quantos dias que ainda faltam.

Quando acordei, uma voz roufenha me disse:

— Reverendo! Acabamos! Cirurgia nota 10! Está curado pela graça de Deus! Aleluia, Glória a Deus!
— Quem é o senhor? E que diabo de cirurgia foi essa? — Perguntei.
— Sou o Pastor-Cirurgião. Colocamos uma peça de aço com um chip na sua barriga. Agora, o senhor não passa de um Cyborg.
— E quem mandou, e quem mandou? E pra que serve, e pra que serve?
— Uma longa história, Reverendo. Quem me contou foi o próprio Bispo EdMac, meu sacrossanto chefe e condutor das almas perdidas. Mas, acho que o senhor está muito fraco pra ouvir tudo isso agora. — Respondeu a voz cavernosa.
— Não tô fraco, porra nenhuma! Vou sair daqui correndo pra dar queixa ao Nosso Líder.
— Não pode! Aliás, não pode nem mesmo andar. Vai ficar com as pernas amarradas por vinte e quatro horas na UTI para consolidar a fixação do tubo de aço. Mas, já posso adiantar alguma coisa para não perturbar sua recuperação. Quando o senhor caiu na poça de lama, nossos seguranças o trouxeram direto para o Bloco Cirúrgico. Chamamos o Pastor da Clínica Geral, cujo diagnóstico, guiado pelo Espírito Santo, foi preciso. Sua horta tinha um neurismo do tamanho de um bonde e a cirurgia era urgente.
— É mentira! É mentira! Era só uma dorzinha de nada e umas tonturas. — Interrompi o auto denominado cirurgião.
— Bobagem de bobagens, Reverendo! Nosso ambulatório é o melhor do Brasil. Temos 2003, espalhados pelo país, através de um convênio com o PAC da Doutora Dilma e nosso Bispo. Nossa missão é transformar todos os líderes de comunidades rebeldes em Cyborgs que obedeçam, religiosamente, às ordens de nossa Ministra, pelo menos até 2010, quando ela será eleita nossa Rainha Dilma 1ª. Além disso, a partir de agora, se o senhor falar mal de Nosso Líder, futuro Primeiro Ministro do Reino, e de nossa futura rainha será punido com choques homeopáticos na barriga.
— Aquela víbora gorducha, ai, ai, ai… — Gritei, sentindo um choque elétrico bem acima do estômago.
— Já falei! E isso foi só uma advertência. Mas, o senhor devia estar nos agradecendo pela operação. Encontramos na sua horta um maxixi podre, três fiapos de quiabo amarelo e umas cinqüentas sementes de tomate gigante. Cortamos tudo e, com a Graça de Deus, emendamos sua horta com um pedaço de PVC.  O chip GPS está ligado ao Planalto, tô logo avisando. Como o senhor percebe, nosso ambulatório ainda está em acabamento e não tínhamos o material apropriado. Felizmente, no entanto, o seu acompanhante, o ilustre Dr. Quim, teve uma idéia genial. Foi na cozinha e roubou um pedaço da mangueira do bujão de gaz. Com isso, completamos o serviço e emendamos sua horta com cola-tudo, feito de veneno de cobra coral lá mesmo no Laboratório de vocês.

(Nota de PP: então era isso a coisa durona que PF notou  na barriga do Reverendo)

— E quanto vai durar esse troço? — Perguntei alarmado.
— Não se preocupe! O tubo dura uns trezentos anos. Pra alegrar sua vida, pintamos nele o escudo do Santa cruz. O time vai ficar escondido na sua barriga por uns vinte anos, quando a tinta começa a se dissolver. Idéia também do Dr. Quim.
— Tudo bem! Então já posso voltar pra casa?
— Já lhe disse que não. Se tentar, a barriga se rasga e aí a gente não garante nada.
— E, pelo menos, posso chorar? Tô com uma vontade danada.

O Pastor Cirurgião então começou a rir e me disse:

— Sossegue, meu caro Reverendo. Tava brincando com o tal chip GPS. Pode continuar a falar mal de quem quiser com sua língua de trapo venenosa. Já basta seu time de merda ter desaparecido do mapa. Posso lhe garantir que ninguém vai impedir a Doutora Vilma de ser nossa rainha. Eleita pelo povo, ainda mais.

Um maqueiro me levou para a UTI quase à velocidade da luz. Mandei a Doutora Wilma à merda e não senti mais nenhum choque. No caminho, passei por Marocas que usava uns óculos enormes.

— Tsézinho! Como foi, como foi?
— Limbo, Limbo! — Respondi.

Mais adiante, já na porta da UTI, estava Perrusi Filho, que queria me injetar uma droga alucinógena novamente.

— Reverendo! Tudo bem!
— Que nada! Roubaram meus anjinhos do Limbo.

                  (Fim da Primeira Carta de Tse-Tsé)

A horta do Reverendo Tsé-Tsé: visita às palafitas.

27 de maio de 2008, às 10:54h

Incrível, descubro agora que o Reverendo não caçava filhotes de búfalo na África do Sul, nem mesmo, por algum sortilégio, transformara-se numa lagartixa (há dúvidas, há dúvidas…).

Perrusi-Mor, enfim, esclarece o imbróglio:

Preocupado com a prolongada ausência do Reverendo Tsé-Tsé, vilipendiado como jacaré, lagartixa e outros bichos pelos amigos de Artur, resolvi visitá-lo em Bel-O-Kan. Na verdade, minha visita de caridade foi encorajada pelos apelos afetuosos de uma menina do bairro chamada Marília que pedia, quase chorando, a volta do Reverendo.

Como não havia estrada, fui no catamarã “Dona Lindu” da Prefeitura, aproveitando uma excursão ecológica das meninas do Prefeito Levitante.

Cautelosamente, aproximei-me das palafitas e perguntei a Zé Malandro, que estava pescando siri, o que havia com o Reverendo.

— Sei não! Tá lá deitado há mais de mês, chamando por uma tal de Doutora Dilma, Doutora Vilma, sei lá. Mas, entre Irmão! Ele vai ficar contente com sua visita. E desculpe o fedor que sobe de nossa horta, orgulho da comunidade. Não sei se o senhor já sabe, mas batemos o recorde de um quiabo de um metro e meio, dois maxixes de dois quilos e trezentas e cinco tomates de um quilo cada uma.

Interrompendo a falação de Zé, encaminhei-me para a casa do Reverendo. Quim estava por lá, com ar desolado e inútil, mas logo me reconheceu. Deu-me um banco todo rebentado e sentei-me na cabeceira do ilustre personagem. Um horror! Tsé estava todo amarelado, batina rasgada, rosto escamado, unhas imundas, mãos esfiapadas, pés com chagas purulentas e deitado de barriga pra cima. Percebi logo o tamanho enorme da barriga e já fui pensando no pior.

Mesmo sem luvas, acariciei os cabelos sujos e desgrenhados do amigo e perguntei carinhosamente:

— Reverendo! O que está havendo com o senhor?

— Doutora Dilma! Doutora Vilma! — Ficou murmurando com um fio de voz.

Fui mais enérgico e lhe disse:

— Tão dizendo que o senhor virou uma lagartixa. E pare com essa ladainha que não há nenhuma santa com esse nome.

Tse-Tsé, a muito custo, virou-se na cama de palha e me disse:

— Tão me perseguindo, Irmão. Tô escondido pra não morrer mais cedo. Só quero ir na minha hora. Doutora Dilma! Doutora Vilma! — Terminou de falar.

E não saía disso.

— Tudo bem, Tsé! Vou chamar o Arcebispo. E se não der jeito, chamo Bento. Não tem saída!

— Não, não e não! — Animou-se o Reverendo. — Tudo, menos esses dois sacripantas.

Achei melhor pedir auxilio a um especialista. Peguei meu celular e chamei o irmão Perrusi Filho, ilustre Psiquiatra, que estava atrás de um doido no Bairro da Madalena. Meia hora depois, ele chegou esbaforido e ficou também horrorizado.

— Ah! Se eu soubesse, se eu soubesse! — Disse, talvez arrependido de tanta besteira que havia escrito sobre o desaparecimento do Reverendo.

Botou a mão na testa do reverendo. 42 gráus de febre se não for mais. Apalpou a barriga do reverendo que estava dura como uma pedra. Depois, virando-se para Quim, perguntou:

— Há quanto tempo que Tsé não evacua?

— Num sei! Aqui, a gente não costuma fazer isso não. — Respondeu o ignorante curandeiro.

O ilustre Psiquiatra pediu-me pra agüentar a barra e saiu apressado. Depois de meia hora, voltou com uma seringa tamanho família, duas bisnagas de um litro de glicerina e uma mangueira PVC, a única coisa viável que encontrou numa loja de construção.

Com a ajuda de Quim, virou o paciente de costas e, Pimba!, injetou os dois litros de glicerina no fiofó de Tsé-Tsé. Pediu ao curandeiro que trouxesse dois penicos bem grandes e mais um de reserva.

Meu amigo começou a se contorcer, dando gritos e vivas a Doutora Vilma. Logo logo, começou a exalar um cheiro horrível, mas não resistiu. Sentamos o homem no primeiro penico que logo esborrou. Veio o segundo e foi a mesma coisa. Já o terceiro ficou somente na metade.

— Bota isso na rua mesmo, Quim. O prefeito adora esse tipo de coisa. — Falou Perrusi Filho.

— De jeito nenhum! Adubo dos bons pra nossa horta. Com tanto material, vamos bater novo recorde de jerimum. — Depois, trouxe-nos dois copos de chá de folhas de mangue, que, gentilmente, recusamos.

Tsé estava mais calmo, o amarelado sumia e já respirava com mais facilidade. Parou de resmungar e queria dormir. Perrusi Filho disse que, depois de pegar mais cinco doidos fugidos da Casa São José, voltaria à noite pra ver o paciente.

Antes de sair, me disse:

— O que me intriga é a enorme cicatriz na barriga do Reverendo e uma coisa bem durona por debaixo. Pensei que ia sair tudo mas o troço ficou. Preciso consultar uns colegas da Faculdade. Além disso, ele está com a síndrome dilmorréiensis, uma epidemia nacional, aliás. A TV dá todos os dias. Mais ainda, sinais de pânico, medo de penico e uma escamação estranha no rosto e nos braços que só pode ser sintomas de uma alergia ao Nosso Líder. O mais grave é a primeira que não sei de onde vem. Talvez alguma beata com nome de Dilma ou Vilma esteja mexendo com a cabeça dele. Medo de penico e a alergia é porque ele ouve o “Café da Manhã” do Presidente que só diz merda mesmo. Não sei por quê, ele resolveu guardar tudo na barriga.

Pacientemente, fui olhar o Capibaribe, verdinho, verdinho, com a despoluição feita pelo Prefeito com as verbas do PAC. Pesquei dois camurins bem graúdos e mandei assar pro jantar de Tsé. Duas horas depois de sono, o Reverendo me chamou:

— Obrigado, Irmão! O senhor me salvou. — Disse, quando mal entrava no quarto.

— Quê nada, Reverendo! É que o senhor esqueceu de fazer suas obrigações barrigais. Mas, parece que houve qualquer coisa estranha que o senhor não me contou. Perrusi Filho, Doutor de Faculdade, viu uma cicatriz e uma espécie de tubo duro que nem aço na sua barriga. Ou conta, ou vou embora de vez. — Respondi.

— Irmão! Pro senhor, eu conto. Mas só quando me recuperar na próxima semana. Mando uma carta pro Blog confessando tudo.

Voltei pra casa mais aliviado, pensando na tal da Dilma ou Vilma. Seria aquela beata gorducha com óculos de garrafa cujo retrato estava na cabeceira do Reverendo? E como Tsé-Tsé iria se impressionar com aquela feiúra, com tantas beatas graciosas nas palafitas? E Marocas? O que ela pensaria disso tudo.

A Miséria da Conciliação

25 de maio de 2008, às 15:02h

Dada a repercusão do meu texto na blogosfera tricolor, publico-o aqui no Blog dos Perrusi; afinal, os Perrusi são tricolores (antes de tudo, o Santinha é um clube “italiano”!) e estão preocupadíssimos com o futuro de nosso clube. É um texto que está gerando polêmica, pois muitos vestiram a carapuça. Foi publicado originalmente no Torcedor Coral e, depois, no Blog do Santinha.

A guerra começou… Às armas, tricolores!

 

Os tricolores somos uns conciliadores. É só aparecer um tricolor na frente, e o coração derrete, e aquele intenso sentimento de pertença a uma comunidade toma conta da alma. Um encontro de tricolores é um encontro saudoso, parecendo um encontro de exilados, no qual o passado toma o lugar do país distante. É um jorro de boas lembranças e de reminiscências — quando em grupo, o encontro torna-se uma terapia, uma espécie de reconstituição da auto-estima. Muitos choram, é verdade, lembrando de Ramon.

Sim, adoramos a comunhão. Detestamos conflitos, adoramos a afetividade. Por isso, desconfiamos tanto da política. Pra que brigar? A gente dá um jeitinho e evita o confronto, ora essa. Diante dos percalços e, principalmente, das lambanças de alguma gestão, usamos e abusamos da palavra mágica: união! Não é apenas uma palavra, é um ritual, uma prática de reconciliação entre posições aparentemente antagônicas, entre irreconciliáveis do discurso. A política vai começar, e pumba!, entra em cena o apelo à união e todos se congraçam em torno do Santinha. O curioso é que a dita união sempre favorece o grupo que está na direção — a conciliação é a forma de se eternizar no poder. Sim, amamos o abraço dos afogados, no qual quem se afoga é o Santinha e sua torcida.

Os tricolores somos curiosos. Podemos encontrar até um canalha, mas, se é um tricolor, tudo bem, deve ser um bom canalha, no mínimo! E, quando o canalha bate nos nossos ombros e diz “sou um abnegado do Santa!”, ah, nossos olhos brilham, afinal, abnegado é uma palavra encantada, parecida com benemérito e cardeal. Abnegado pode acabar com o Santinha à vontade, pois faz isso com abnegação. É um canalha, o abnegado, mas os canalhas também amam o Santinha. Aliás, pelo jeito, todos amam intensamente esse clube!

Nélson Rodrigues dizia o seguinte a respeito dos canalhas:

“O ser humano é cego para os próprios defeitos. Jamais um vilão do cinema mudo proclamou-se vilão. Nem o idiota se diz idiota. Os defeitos existem dentro de nós, ativos e militantes, mas inconfessos. Nunca vi um sujeito vir à boca de cena e anunciar, de testa erguida: - ‘Senhoras e senhores, eu sou um canalha

Ele estava errado. No Santinha, um canalha diz e bate no peito: _Senhoras e senhores, eu sou um canalha, e com muito orgulho! E o fantástico é que muitos cardeais aplaudem e apreciam a bela canalhice. E todos, com a testa erguida, cantam o hino do clube.

Mas o tope de linha dos abnegados é aquele abnegado bom caráter que ama tanto, mas tanto, o Santinha, que ajuda até o canalha. Ajuda por amor e compaixão, diz a lenda. _Não ajudo o canalha, ajudo o Santa! Fala amuado, o abnegado bom caráter. De fato, é um tolinho. Confunde tudo. A gestão pode ser atrasada, clientelista, autoritária, incompetente, demagoga, safada, mas não, qual o quê, o tolinho está lá dando sua ajuda, não percebendo que, com sua estimada colaboração, reproduz o modelo que está destruindo o clube. Na verdade, o tolinho é o reflexo invertido do canalha. Faz parte da mesma lógica, do mesmo mecanismo, do mesmo modelo, da mesma porcaria.

Depois do canalha, o que mais odeio é o tolinho.

Mas, depois da última e histórica eleição, os canalhas e os tolinhos perderam a legitimidade. O que aconteceu naquela eleição? Ora, fez-se política. Houve a compreensão de que democracia não se funda na babaquice do consenso, e sim no dissenso e no conflito. Mostrou-se que não se reconciliam posições irreconciliáveis em prol de uma união que só beneficia canalhas e tolinhos. Mas, afinal, o que adiantou aquela eleição? Ora, ganhamos a possibilidade de mudar o clube, pois, agora, sabemos quem são os canalhas e os tolinhos. Sabemos que conciliação é um discurso de poder. E, através dos blogues, uma sensacional conseqüência da eleição, formamos uma opinião pública tricolor. E não existe um mecanismo mais devastador, para canalhas e tolinhos, do que uma opinião pública democrática, crítica e atuante.

Nosso paradoxo atual é o seguinte: estamos na mais profunda merda e, ao mesmo tempo, temos o que clube algum tem: uma opinião pública de torcedores. Estamos entre o céu e o inferno. No céu, porque temos a possibilidade de mudar o clube de forma radical; no inferno, porque os canalhas e os tolinhos ainda dominam o Santinha. Que soem as trombetas! Que sejam as celestiais!

A próxima eleição será a mãe de todas as eleições. Acabou a mamata. Acabou a união da imbecilidade. O Santinha não é mais o fórum dos otários. Os cardeais estão nus. Vamos jogá-los no canal. Que tomem banho de bosta. A mamata dos canalhas diminuirá quando mais tricolores resolverem dizer: ou tem para todos ou não tem para ninguém. Ou se democratiza a sacanagem ou se acaba com ela. Como democratizá-la é impossível, já que sua essência é a desigualdade, só resta acabar com ela. E vamos acabar com a sacanagem, podem ter certeza.

Os tricolores não somos mais conciliadores.

A vida como ela é…

18 de maio de 2008, às 22:33h

 Rapaz, pesquei esse vídeo incrível no Hermenauta:  

Minha interpretação é a seguinte: os leões são os capitalistas, defensores do “investment grade”, e os búfalos selvagens são os operários, que não sabem o que querem, nem o que fazem — são, no sentido bíblico, pobres de espírito. O ataque dos leões ao pequeno búfalo selvagem, metáfora do proletariado desorganizado, desencadeia um movimento raro, nessa época pós-moderna e individualista, de solidariedade. As ações de reciprocidade aumentam o vínculo entre os búfalos, como previa Lênin, e eles tornam-se ferozes sindicalistas. Atacam os leões, agora capitalistas indefesos diante da tomada do Estado pela república dos búfalos. Diante da reação operária, os felinos liberam, enfim, o infante búfalo das garras da coerção econômica. Metaforicamente, os búfalos acabaram com capitalismo? Não, apenas fundaram um Estado mais social, no qual o búfalo bebê, inclusive, terá direito ao SUS, já que ficou aleijado com os ataques. Na república búfala, os leões ainda existem, mas se tornaram financistas e, alguns, curadores de fundos de pensão (para alguns búfalos intelectuais, leões de fundo de pensão são vegetarianos — claro, tal inferência é um erro tático, típico do esquerdismo acadêmico).

Falta explicar o ataque do crocodilo. Quem é o crocodilo? Um banqueiro? 

A fundação do mundo

17 de maio de 2008, às 21:40h

 

Vendo a série C aproximar-se e, deus me livre, a D, também, voltei-me a Freud, aquele do charuto ambíguo. Li tanto o cabra que, agora, faço interpretações a torto e a direito. Tá na minha frente?! Interpreto na hora. E digo logo: o problema é tua mãe! Aprendi isso lá na Biblioteca Central da UFPB, cercado de livros freudianos, olhando aterrorizado para aqueles funcionários horripilantes. Ali, com o dedo em riste, apontava o problema e gerava pulsões matricidas. Tudo bem que os mondrongos não me compreendiam, mais ainda que essa discussão não era mesmo lá muito importante. O fato fundamental foi que encontrei alguns manuscritos — na realidade, anotações — desconhecidos do público que modificam a nossa visão tradicional do método freudiano.

Não sei bem qual será a opinião dos leitores e espero, sinceramente, que as informações não lhes causem nenhum constrangimento. Bem, o bolero é o seguinte: as anotações encontradas modificam a nossa opinião usual da obra  Totem e Tabu, cuja exegese tradicional, aliás, sempre me pareceu insuficiente. Ora, aparentemente, tal livro seria uma pálida ficção da gênese social, quando comparado com Hobbes e outros jusnaturalistas — a violência fundando a cultura é um tema repetido há muito pelos filósofos. Inclusive, Freud não deixa de ser, no fundo, um repetidor das hipóteses do jusnaturalismo, embora seja original em imaginar uma cena primitiva e fundadora tão mórbida como um parricídio. Não acredito que Sigmund tenha tido apenas a intenção de nos demonstrar uma hipotética fundação social, mas sim ir além disso; isto é, existe outra hipótese bem mais poderosa e importante, recalcada na história parricida. Na verdade, seria menos uma hipótese do que uma estória, justamente aquela que Freud escreveu e que quero publicar.

Lá vai:

“Desde o início fora assim, como se fosse uma coisa imutável, um direito eterno e inquestionável. Orravan — segundo Freud, nome absurdamente primitivo, talvez o fonema essencial tão procurado pelos lingüistas —, pai da horda primitiva, logo de todos, tinha o poder monopolista, quase divino, de possuir todas as fêmeas do bando. Nunca que isso tivesse realmente chateado os filhos machos, principalmente no começo, quando todos eram ainda crianças. Além disso, o pai era bem grande e tinha uma carranca de meter medo — sem dúvida, parecia que a força, a agressividade e a violência detinham uma natural superioridade nessa cripto-sociedade. Mesmo assim, o grande divisor proto-moral da horda que dissuadia os filhos machos, diminuindo as suas vontades, era o Falo de Orravan, ereto e onisciente, cuja incomensurabilidade afastava qualquer possibilidade de competição — na verdade, pelos padrões modernos, o negócio não era tão grande assim e precisaria de uma pinça para a sua manipulação; mas, estamos na pré-história, época dos tamanhos liliputianos.

Com o tempo, a testosterona foi fazendo os seus efeitos, moldando a forma do mundo, dando vigor e atiçando o desejo dos filhos. O hormônio fez com que a representação da coisa se tornasse a do nome, permitindo que a semântica fosse inscrita na necessidade fisiológica e pudesse, aos poucos, insinuar-se como uma palavra, ainda arcaica, é verdade, embora a sua significação já contivesse todo o seu sentido civilizador supremo: sexo! Assim, os filhos passaram a interpretar a cena primitiva via princípio da realidade, ultrapassando o princípio do prazer, o que acarretou um desagrado geral na horda. Ora, o desgosto era compreensível, já que, segundo Freud, a cena primitiva era o pai arcaico possuindo a mãe ancestral, cujos urros de prazer ainda reverberam na evolução humana, constituindo aquele nojo ontológico que sentimos, quando criança, ao flagrar nosso pai (…) a nossa mamãezinha querida. Talvez o problema fosse a insistência de Orravan em demonstrar a sua potência sexual na frente de todos, visto que os rapazes estavam, por um processo desconhecido, desenvolvendo os primeiros rudimentos da privacidade e do pudor público.

O pai arcaico, aparentemente, desconhecia isso ou, simplesmente, era mal acostumado. Ele tinha o costume de deixar a mãe ancestral, as tias primordiais, as irmãs primícias e as primas primitivas de jejum forçado, distribuindo-lhes penitências que iam de três dúzias de ave-ppgs (uma espécie de ave-maria dos inícios ) até pisas de tabica no lombo e rezas sem fim. Terminava o ritual exatamente ao meio-dia, quando liberava todas dos entreveiros e se punha a copular com cada uma, meticulosamente, no primeiro banco de palha da antropologia humana. A última a ser acasalada era geralmente a mais nova (cobiçada por todos da horda) que encenava o ppgs e era depois malhada até sangrar. Orravan lambia o sangue com a sua língua de boi e ria para os seus filhos. Depois, imitava uma cabra e balia de forma estridente (o cúmulo da conduta blasé). No final, todos, inclusive os filhos, iam se banhar no rio sagrado Sanha Hoá, onde o Fornicador Alfa continuava a se amostrar, mostrando o membro desonesto e deixando o resto dos machos abufelados e avexados.

A situação explodiu quando um dia, sem motivo aparente, na hora do ritual de ppgs, enquanto corria atrás da mais nova do bando, Orravan proferiu as primeiras palavras chulas da história: Arreda, Ppgs! Vou fazer tu te mijar todinha. Ah! minha Santa Agonia, hoje eu arrebento essas pregas. Toma no caiçuma, filha de ninguém. Fica de quatro. Tu vai penar que nem Santa Terezinha, diaba dos quintos!

(Completamente misteriosa essa alusão a Santa Terezinha. Bosquímano, estudioso profundo da psicanálise, insinua que Freud, aqui, projeta do fundo do seu inconsciente o nome da sua professora do primário, Terezinha Milchkuh — Ver Gil, Inveja do Pênis, aprenda agora! - Jampa, Manufatura, 2007).

A raiva e a indignação alastraram-se como fogo na Califórnia. O mais forte dos filhos lançou-se, feito um alucinado, contra Orravan e, logo imediatamente, foi seguido por todos. As fêmeas da horda foram as mais cruéis e suas pantomimas não se diferenciaram muito daquelas feitas durante a fornicação sagrada. Elas, num só gesto, fizeram os extremos se tocarem: Eros e Thanatos, num rodopio ardente que seria repetido milhares de anos depois pelas bacantes. O pai da horda primitiva foi literalmente massacrado e seus restos ficaram boiando numa pocilga que, com tanto sangue, parecia uma pequena corredeira, indo desaguar no rio Sanha Hoá e o tornando completamente rubro. Inebriados, os machos comeram os restos de Orravan para adquirir a sua força e virilidade; no entanto, deixaram o seu Falo intacto, transformando-o no primeiro totem miniatura existente e, depois, tomaram uma cachaça para esquecerem o festim e o menu.

Na aurora do primeiro dia sem pai e, do ponto de vista conceitual, do primeiro da civilização, os filhos refestelados, ainda preguiçosos da barbaria passada, olharam-se uns aos outros, cada qual com a sua mancha de sangue, cada qual com fiapos da carne do Pai entre os dentes, e tiveram um medo pavoroso: e se fizessem aquilo tudo novamente entre si? Afinal, as fêmeas estavam lá, e todas com aquele jeito meio zonzo, sem função. Havia o perigo da disputa e do monopólio. Havia o perigo da guerra eterna. Os olhares, então, tornaram-se acordo e surgiu o pacto dos pactos: todos deviam renunciar aos frutos da vitória, evitando com isso uma auto-carnificina. Surgira, assim, a primeira conquista cultural baseada no consenso: o contrato social do incesto. Todos interiorizaram rapidamente a proibição, através de uma instância nova que estava surgindo, o superego, e deixaram em paz as mulheres do grupo.

Contudo, não deu uma semana e o onanismo, inventado pelo mais tarado dos machos do grupo, Samid, floresceu a ponto de causar calos nas mãos.

(Neste ponto, vale assinalar que Freud foi radicalmente contra as teses marxistas de que o calo na mão surgiu da praxis do trabalho. Assim, como o mesmo disse: “o onanismo, enquanto praxis, realiza a autonomia transcendental do homem vis-à-vis do arquétipo feminino”).

Nosso amigo, insatisfeito com a sua invenção — de fato, o cabra era mesmo um tarado —, ficou desconfiado de que, mais dia menos dia, os machos do grupo poderiam, sem sexo feminino, imitar aquele animal bizarro chamado de paca.

(Freud sempre se interessou pelo tema da paca, certamente influenciado pelos estudos naturalistas de Darwin que, em Galápagos, ficara intrigado com os hábitos alvirrosas deste animal).

Teve, assim, outra brilhante idéia: por que não atacar o acampamento de Aduf — outro nome absurdamente primitivo de que nos fala Freud — e roubar as suas mulheres? Afinal, o Outro Bando tinha muitas mulheres — certo, todas cabeludas e androfóbicas, mas ainda assim seres femininos… Além do mais, Aduf já estava senil e balofo na sua vidinha sedentária e não ofereceria uma grande resistência. Dito e feito, aprovada a idéia, foram todos amolar as pedras de sílex, munirem-se de cordas, redes, lanças, etc, preparando-se para a grande empreitada. O caminho era longo, pois o lugar de moradia do Outro Bando era meio longe, lá pelos lados de Apmaj — região terrível, habitada por dragões, ganos e sapuris, onde era inevitável o suicídio masculino. _ Passe lá quatro meses e você se mata! - já dizia Yrret, um velho celta, o doido ancestral.

O ataque pegou o Outro Bando completamente de surpresa. Muitos homens, paralisados de medo, morreram ali mesmo, não oferecendo qualquer resistência. Nesse ínterim, o mais bonito e o mais esperto da ex-horda, chamado de Per Usi, entretia-se com algumas gatinhas, fornicando com enxerimento e, nesse rústico movimento, inventando novas posições sexuais que contagiaram de prazer e de alegria as intumescidas fêmeas.

(Há indícios de que Per Usi foi o inventor do Candelabro Italiano, do Minueto Alemão, da Clava Javanesa, da Mazurca Polonesa, do Torno Polinésio e da Mamadeira Búlgara. Freud escreverá no seu caderninho de notas: “Não existiu legado mais importante do que o de Per Usi”).

Nunca que tivessem visto um macho como ele, tão carinhoso e tão homem, tão doce e tão furioso! O malandro rapaz sabia instintivamente que era apenas uma questão de saber explorar a riqueza interior com que a natureza houvera por bem presentear a cada filho. A infelicidade consistia em não saber fazer esta exploração. Macho e fêmea se complementavam, e tanto mais seriam felizes quanto mais se explorassem e usassem mutuamente seus corpos e seus espíritos. Aduf ficou invocado e arretado com a cena, principalmente com os gritinhos de prazer das mulheres (ultraje dos ultrajes), partindo furioso na direção de Per Rusi, que não teve dúvida e meteu-lhe o sarrafo, arrancando a sua cabeça num só golpe. Durante um segundo, que pareceu uma eternidade, um silêncio de morte tombou no campo de batalha e os filhos de Aduf constataram com estupor a morte do seu chefe/pai, ficando imóveis e petrificados diante do horror daquela cena dantesca: a cachola venerada rolando ensangüentada pelo chão.

Quando Per Usi aproximou-se da cachimônia e ensaiou de pegá-la, a paralisia do Outro Bando, como por encanto, acabou e todos se lançaram para reaver a sede da razão de Aduf. Se tinham perdido o Pai, dariam a vida para, pelo menos, manterem-se com o seu bestunto. Per Usi, acossado pelo instante e não tendo tempo para apanhar a cabeça com as mãos, resolveu de improviso sair chutando o quengo e levá-lo a um lugar seguro. Ele passou pelo primeiro, driblou o segundo, deu uma saia no terceiro, lançou Ramde, que corria pela lateral do acampamento; este deu um traço num que se aproximava, deu um banho noutro e mandou de volta o crânio para Per Usi, que estava numa espécie de área retangular, onde tinha um tipo de guardião (um eunuco chamado de Andes) protegendo duas árvores paralelas, julgadas sagradas pelo Outro Bando e unidas por uma delicada rede de seda, e que fora feita especialmente pelas mulheres de Aduf. Nesse exato momento, os irmãos de Per Usi já estavam esperando-o do Outro Lado com as fêmeas seqüestradas. Ele somente precisava passar a cabeça entre as árvores, sem que o guardião a apanhasse, e os seus parentes a pegariam definitivamente. Houve um grande momento de suspense, o tempo gelou, os pássaros pararam de cantar, os papagaios de falar, os coelhos de trepar, os petistas de… bem… er…; então, Per Usi, quase em câmara lenta, encheu o pé, dando um chute de trivela no juízo de Aduf que, feito um foguete, furou a rede de seda — o guardião, de tão atordoado, nem viu a cabeça passar. Nosso rapaz saiu correndo bêbado de alegria, dando pulos e socando o ar, enquanto os seus irmãos e, praticamente, o mundo inteiro, davam um grito ancestral, guardado há muito na noite dos tempos: gooooool!

(…)

Era noite e era festa no acampamento dos nossos antepassados, todos bebiam e fornicavam, inclusive as próprias mulheres da antiga horda, pois lhes trouxeram alguns prisioneiros que não se incomodaram de participar da geléia geral. Per Usi tinha recebido como prêmio a língua e os miolos do coco de Aduf. Estava satisfeito e saciado. Olhava a Lua, afastado de todos, meio pensativo e distraído, enquanto uma fêmea procurava piolhos e fazia cafuné nos seus longos cabelos encaracolados. Sabia de algum modo que o mundo tinha mudado, sendo impossível um retorno ao que era antes; a ponte que ligava o homem às suas origens estava irremediavelmente destruída; novas aventuras aguardavam a sua espécie, novas descobertas e também novos mistérios. Um horizonte praticamente infinito se descortinava na sua frente.

Contudo, uma leve inquietação, como uma brisa suave, insinuou-se no seu espírito: e se essa consciência de si, que o homem tinha conquistado, fosse um cataclismo, uma separação de nós mesmos em que teríamos de suportar pesadas conseqüências? Será que sermos nós mesmos implica assumirmos nossa existência, esse álter fundamental, não coincidência de si, que é próprio do seres auto-realizados no tempo? Per Usi não sabia, mas o homem tinha, assim, inventado o tempo indicativo do presente e a… frescura. As ligações entre os pensamentos de Per Usi, bêbado e sonilundo, com o existencialismo sartreano são, convenhamos, mais do que evidentes.

De repente, um grito de alegria despertou-o dos seus devaneios, era Samid, completamente embriagado, que o chamava de volta ao acampamento. Ele desvincilhou-se da fêmea, esqueceu-se dos seus sonhos, antecipações e medos, e retornou correndo para o seu povo”.

Aqui, terminam as anotações de Freud. Mais do que o parricídio ou a fundação da cultura, o homem feito humanidade tinha descoberto o Ludopédio. E, como vocês sabem muito bem, tal esporte não mudou muito desde essa época, exceto por uma regra: hoje, não se come mais a bola.

Tenho dito.

A preocupação que nunca existiu…

14 de maio de 2008, às 20:35h

Artigo interessante sobre a saída de Marina Silva, na Folha:

 

Marina sofreu bombardeio desde o 1º mandato de Lula

Ministra fez várias concessões e teve de aceitar derrotas seguidas em 5 anos e 5 meses de governo, mas sai no instante em que desmatamento volta a aumentar

MARCELO LEITE
COLUNISTA DA FOLHA

AO FINAL do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, já estava claro para quem quisesse ver que seu governo não merecia Marina Silva. A voz ao mesmo tempo frágil e firme da ex-doméstica que chegou a senadora permanecia solitária na Esplanada. Era a única a defender que o desenvolvimento econômico não pode ser obtido a qualquer preço, porque não seria de fato desenvolvimento.

Lula repetiu a estratégia Fernando Collor com José Lutzenberger. Pôs Marina Silva na vitrine do MMA (Ministério do Meio Ambiente) para neutralizar pressões internacionais contra o país pela destruição da Amazônia. Funcionou por algum tempo. Tempo demais.

Era fácil deixar a ministra falando sozinha sobre “transversalidade”. Soava como (e era de fato) uma abstração insistir na necessidade de injetar a questão ambiental em todas as esferas de decisão e planejamento do governo. O desenvolvimentismo lulista seguiu em frente.

Foram muitas as batalhas perdidas. Primeiro, perante o Ministério da Ciência e Tecnologia, a dos transgênicos. Depois de anos de omissão do governo FHC quanto ao plantio de soja geneticamente modificada contrabandeada da Argentina, Lula capitulou diante do agronegócio e do lobby dos biotecnólogos, permitindo a comercialização do grão ilegal.

Em seguida vieram várias concessões, fracassos e derrotas do MMA: explosão do desmatamento (que chegou a 27 mil km2 em 2004, segunda maior marca de todos os tempos); licenciamento ambiental da transposição do São Francisco e das grandes hidrelétricas na Amazônia; a decisão de construir Angra 3 e outras quatro usinas nucleares…

Apesar disso, Marina Silva continuava como um conveniente bode expiatório. A certa altura, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) parecia ser o maior entrave ao desenvolvimento nacional. Pior que a taxa de juros mais alta do planeta, a julgar pelo bombardeio dos jornalistas de negócios e dos ministérios interessados em camuflar a própria inoperância.

Mãe do PAC, mãe do PAS

O MME (Ministério de Minas e Energia), onde começou a ser gestada a mãe do PAC e também o embrião de um apagão, capitaneava o canhoneio. Entre um mandato e outro, a artilharia quase derrubou Marina Silva. Havia até candidato preferido do MME, segundo se especulava na época: Jerson Kelman, diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A proverbial raposa no galinheiro.

Marina Silva resistiu e ficou para um segundo mandato. Disse na época que o fez a pedido do próprio Lula. Afinal, o desmatamento na Amazônia vinha caindo, tendência que se confirmou ao longo do primeiro ano do segundo mandato. As cifras traumatizantes despencaram quase 60% em três anos. A ministra continuava bem na fita, pelo roteiro de Lula.

Aí começaram a surgir os primeiros sinais de que o desmatamento na Amazônia voltava a crescer. Era inevitável, diante da alta retomada no preço de commodities agrícolas, como soja, carne bovina e algodão. Enquanto isso, o frenesi dos biocombustíveis tomava conta do Palácio do Planalto.

Só os incautos acreditam que a expansão da produção será obtida apenas com aumento da produtividade e ocupação de áreas degradadas de pastagem. O empreendedor rural se dirige para onde encontrar a melhor combinação de terra e mão-de-obra baratas, solos férteis, topografia favorável e infra-estrutura logística. Soja e cana não desmatam a Amazônia, mas a pecuária, sim -e como.

Diante do trator pilotado pelo Ministério da Agricultura e teleguiado da Casa Civil, o espaço de manobra de Marina Silva se restringiu ainda mais. Nem ela fala mais em transversalidade, embora não deixe de apontar os riscos do excessos de entusiasmo com a expansão do agronegócio.

Os sensores de satélites, capazes de discernir florestas de verdade das áreas em processo de degradação, não se enganam a respeito. O desmatamento está em alta. É indiferente para eles que Lula, Dilma Rousseff e Marina Silva tenham lançado há poucos dias o enésimo programa desenvolvimentista, mais uma compilação de ações anteriormente providenciadas, e o batizem como PAS (Plano Amazônia Sustentável).
Lula tentou fazer blague na cerimônia, afagando a “mãe do PAS”. Ao mesmo tempo, designou o ministro Roberto Mangabeira Unger (aquele do aqueduto ligando a Amazônia ao Nordeste) para coordená-lo.
O presidente ainda jactou-se de estar “criando uma nova China aqui”. A infeliz frase presidencial -mais uma, apenas- não deve ter sido a causa do pedido de demissão da ministra. Mas nunca esteve nos planos de Marina Silva ajudar a armar a segunda maior bomba-relógio ambiental do planeta.

O Carma

14 de maio de 2008, às 18:52h

Tenho amigos e amigas fazendo tese. Tenho pena. Sofrem, e muito. É um ritual de passagem que se compara aos rituais pigmeus de caçar um leão ou meter a cabeça num vespeiro. Ninguém sai incólume de uma tese. Geralmente, sai mau feito um pica-pau, querendo descontar no aluno mais próximo aqueles anos terríveis. Quem não sofre numa tese, merece uma morte cruel. É um mau exemplo. De todo modo, vive em perigo de vida e deve mudar, urgentemente, o discurso de um “ah, foi fácil fazer uma tese!” a um “cruzes, foi um carma, tomei na jaca!”, do contrário será incinerado vivo.

Se um conhecido aparece com uma crise de auto-estima, pergunte logo: _é a tese?!  Depois, aguente o choramingado. Faz parte.

Em homenagem a todos os thésards, publico um texto antigo e simpático de Samir Kassar:

Quarta-feira, 7 de Outubro de 1998
CADERNO 2 - O ESTADO DE SÃO PAULO

Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessa tese que eu estou falando. Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que já defendeu uma tese. Ou esteja defendendo. Sim, uma tese é defendida. Ela é feita para ser atacada pela banca, que são aquelas pessoas que gostam de botar banca.

As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa meses, anos, séculos, defendendo uma tese. Palpitantes assuntos. Tem tese que não acaba nunca, que acompanha o elemento para a velhice.. Tem até teses pós-morte.
O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre - sempre - uma
decepção. Em tese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo. São gatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspecta, sisuda e compenetrada em si mesma.
E nós?
Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoas são inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha. Mas toda tese fica no rodapé da história. Pra que tanto SIC e tanto apud? SIC me lembra o
Pasquim e apud não parece candidato do PFL para vereador? Apud Neto. Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autocrata. O mundo pára, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.
E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo. Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser - tem de ser! - daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290. Em tese (e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática.
Acho que, nas teses, tinha de ter uma norma em que, além da tese, o elemento teria de fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, uma versão para nós, pobres teóricos ignorantes, que não votamos no Apud Neto. Ou seja, o elemento (ou a elementa) passa a vida a estudar um assunto que nos interessa e nada. Pra quê? Pra virar mestre, doutor? E daí? Se ele estudou tanto aquilo, acho impossível que ele não queira que a gente saiba a que conclusões chegou. Mas jamais saberemos onde fica o bicho da goiaba quando não é
tempo de goiaba. No bolso do Apud Neto?  Tem gente que vai para os Estados Unidos, para a Europa, para
terminar a tese. Vão lá nas fontes. Descobrem maravilhas. E a gente não fica sabendo de nada. Só aqueles sisudos da banca. E o cara dá logo um dez com louvor. Louvor para quem? Que exaltação, que encômio é isso?
E tem mais: as bolsas para os que defendem as teses são uma pobreza. Tem viagens, compra de livros caros, horas na Internet da vida, separações, pensão para os filhos que a mulher levou embora. É, defender uma tese é mesmo um voto de pobreza, já diria São Francisco de Assis. Em tese. Tenho um casal de amigos que há uns dez anos prepara suas teses. Cada um, uma. Dia desses a filha, de 10 anos, no café da manhã, ameaçou:
- Não vou mais estudar! Não vou mais na escola.
Os dois pararam - momentaneamente - de pensar nas teses.
- O quê? Pirou?
- Quero estudar mais, não. Olha vocês dois. Não fazem mais nada na vida. É só a tese, a tese, a tese. Não pode comprar bicicleta por causa da tese. A gente não pode ir para a praia por causa da tese. Tudo é pra quando acabar a tese. Até trocar o pano do sofá. Se eu estudar vou acabar numa tese. Quero estudar mais, não. Não me deixam nem mexer mais no computador. Vocês acham mesmo que eu vou deletar a tese de vocês? Pensando bem, até que não é uma má idéia!
Quando é que alguém vai ter a prática idéia de escrever uma tese sobre a tese? Ou uma outra sobre a vida nos rodapés da história? Acho que seria um tesão. 
 
Abraços para todos
 
Samir Kassar

Cotas raciais

13 de maio de 2008, às 12:10h

Sou contra cotas raciais, mas sou a favor de cotas sociais e de políticas públicas de combate ao racismo. Publico o que comentei no blog de Catatau:

Sou contra cotas raciais. Sou a favor das cotas baseadas em critérios de renda. Não existe raça entre os humanos. Existe, sim, etnia (uma noção que supera os problemas ideológicos e trágicos da noção de raça — em antropologia, a noção de etnia recompõe as relações entre natureza e cultura). Mas o problema educacional no Brasil, exceto na questão dos índios, não é étnico e sim social, como enfatizado por Catatau.

O que existe é racismo, isto é, uma construção ideológica que impõe assimetrias de poder ou relações de dominação, na qual características físicas perceptíveis como cor da pele, tipo de cabelo, formato de olhos, etc (logo, que têm significados sociais profundos nas relações sociais) são vistos de uma forma preconceituosa e discriminatória. A articulação de tais características, vistas como um todo coerente, é uma ficção construída socialmente — uma ficção que tem efeitos reais. Em suma, “raça” só existe para os racistas e para aqueles que lutam contra o racismo utilizando a mesma ficção dos racistas: a noção de raça.

Contudo, lendo O Biscoito Fino e a Massa, de Idelber Avelar, soube que

neste 13 de maio em que se celebram 120 da Lei Áurea, o Supremo Tribunal Federal está julgando duas ações diretas de inconstitucionalidade, uma contra a política de cotas nos vestibulares das universidades estaduais do Rio de Janeiro e outra contra os programa ProUni.

E fiquei com o seguinte receio: declarar a inconstitucionalidade das cotas raciais significa jogar a água, a bacia, o bebê, a babá, tudo pela janela? Ora, as cotas raciais, até agora, funcionaram bem, já que geraram efeitos sociais positivos, por causa de um fator social (e sociológico) evidente: a maioria absoluta dos negros são pobres! Mas, ao mesmo tempo, entendo que “constitucionalizar” a noção de raça é perigosíssimo. O ideal seria declarar a constitucionalidade das cotas, exceto a racial  (novamente, diferencio, aqui, o problema racial, que não existe, do étnico, que é um fato antropológico) — mas não sei se essa solução é possível, no quadro jurídico da questão, para o STF.

Nesse sentido, concordo “receando” com a afirmação de Idelber:

Em outras palavras, é perfeitamente possível que você seja contra as cotas e, ainda assim, torça para que o STF siga o voto do relator Carlos Ayres Britto, que foi pela sua constitucionalidade. Isto significaria simplesmente que você não acredita que seja o momento da suprema corte do país sufocar iniciativas que permitiram a entrada de centenas de milhares de cidadãos brasileiros à universidade.

Por isso, aproveito o momento e publico o link do Manifesto em Defesa da Justiça e Constitucionalidade das Cotas (aqui – está em pdf), nome mais interessante do que o do manifesto contra as cotas raciais (113 cidadãos anti-racistas contra as leis raciais – nome de fato infeliz; publiquei aqui no blog ).

Mas continuo lamentando que a noção ideológica (no sentido de “falsa consciência”) de raça tenha-se tornado um problema político e de justiça social, justamente pelas mãos da esquerda. Considero tal fato uma amarga ironia.

Assim como a direita nacional, uma certa esquerda brasileira é completamente americanalhada.

Militares sem reserva

13 de maio de 2008, às 12:00h

Importante artigo de Jânio de Freitas sobre o embate na reserva indígena Raposa/Serra do Sol.

No Brasil, seria importante que a hierarquia das Forças Armadas fosse composta por mudos, pois toda palavra militar causa tempestade. Assim que um militar virasse primeiro-tenente, haveria uma cerimônia, cheia de pompa e circunstância, na qual sua língua seria arracancada publicamente.  A aglossia militar simbolizaria o respeito à República e à Democracia.

Pensei em começar a cerimônia a partir do primeiro-tenente, pois os Perrusi são segundos-tenentes e, vale dizer, não aguentariam a mudez — os Perrusi são logorréicos desde o nascimento. Quer matar um Perrusi? Pois arranque sua língua!

Lá vai:

JANIO DE FREITAS

Os fatos sem reservas



O propósito atual de militares é obscuro; a tendência, não -é consagrada pela história brasileira, entre outras


É UM CLIMA bem conhecido em sua formação e nas tendências possíveis, cuja última presença, bastante abrandada e silenciosa, deu-se durante a veloz fermentação que levou ao afastamento de Collor. Já há quem faça a ponderação (ou advertência?) de que, em caso de decisão do Supremo Tribunal Federal favorável à reserva indígena Raposa/Serra do Sol como homologada por Lula, será muito “mal recebida no Exército” -velha expressão de um só sentido em sua longa fase de uso.

A divergência em torno de reserva única ou de bolsões esparsos para indígenas, em Roraima, põe em xeque muito mais do que as teses de exploração econômica na Amazônia, da defesa territorial na região e da proteção à sobrevivência física e cultural dos indígenas. O mais importante está explícito em pequena seqüência de fatos muitos claros.

No cenário histórico do Clube Militar, o primeiro ato deu-se há um mês, em 16 abril, com a inesperada palestra de um general exaltado contra ato do presidente da República, ao qual fez a exigência de que voltasse atrás “imediatamente” na homologação da reserva. Chefe do Comando Militar da Amazônia, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira e sua palestra eram o centro da reunião pública preparada para demonstrar a adesão do auditório, composto de reformados como de altos oficiais fardados, o próprio orador vestido eloqüentemente com roupa de campanha.

Para o início da última semana foi programada outra manifestação, na linha da anterior, valendo-se do aniversário do Colégio Militar no Rio. À última hora, foi sustado o que arriscava ser, além de outra atitude pública, uma aula de agitação. Os pronunciamentos orais foram substituídos pelo numeroso uso de camisetas de campanha com a pouco elucidativa inscrição “A Amazônia é nossa”. Nossa, de quem? As circunstâncias sugeriam variadas interpretações, com prioridade para a mais imprópria. Ao que se pode deduzir, porém, o esclarecimento ficou entregue aos fatos futuros.

O terceiro ato deu-se em um palco à primeira vista improvisado, mas nada assegura que o fosse. Na descrição do repórter Evandro Éboli no “Globo”, políticos, arrozeiros e comerciantes foram recebidos dentro do 7º Batalhão de Infantaria de Selva para sua manifestação contra a reserva como demarcada no governo Fernando Henrique e homologada por Lula. A oratória, a cargo de um deputado, atacou o presidente da República, o ministro da Justiça e a Polícia Federal.

Em sua resposta, o general Eliezer Monteiro (principal autoridade do Exército no Estado e subordinado ao general Augusto Heleno Pereira) considerou que seu chefe “falou [no Clube Militar] o que precisa ser falado” e, com coerência, fez uma recomendação aos manifestantes: “Cobrem respeito à propriedade de vocês (…), a terra que está lá, ainda que dentro da Raposa, ainda está sob o nome das suas famílias, são [sic] dos senhores”. Na crítica ao Conselho Indigenista de Roraima e ao bloqueio de estrada pelos índios, o general considerou, apesar dos atos legais instituidores da reserva, que os índios apenas “se arvoram como donos das terras”. Mas não considera que a manifestação fosse política.

Para políticos e civis em geral, esses atos em seqüência seriam normais no Estado de Direito. Os canais dos militares, para suas teses, atitudes e reivindicações são outros, segundo a própria doutrina que adotaram em teoria. Sempre que episódios interligados extravasaram os canais adequados e não foram respondidos pelos responsáveis maiores nos termos da própria doutrina militar, resultaram em crises. Como foi, com freqüência, o seu propósito.

O propósito atual é obscuro. A tendência, não. É consagrada pela história brasileira, entre outras.

Retratos femininos

12 de maio de 2008, às 14:33h

Uau! Pesquei o belíssimo vídeo abaixo no Hermenauta, que o pegou, por sua vez, no blog la nostalgie. Neste, é dada a seguinte informação:

Vídeo por: Philip Scott Johnson
Música por: Yo-Yo Ma, interpretando Bach’s Suite No. 1, BWV 1007 In G Major- Sarabande.
A seqüência dos quadros, com o nome dos mesmos e de seus respectivos pintores, pode ser vista aqui:
http://www.maysstuff.com/womenid.htm

A vida melhorou um pouco, olhando o vídeo…