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Ataque

Confesso uma coisa; afinal, um blog é um confessionário. Tenho medo de insetos voadores. Baratas aladas, são exemplos dessas abominações. Freud disse, uma vez, quando estava completamente bêbado de tanto tomar leite de gironda, vale frisar, que medo de barata é medo de vulva. Assim, tecnicamente, eu teria medo de vulvas voadoras? Fiz tal questionamento a alguns psi, mas não recebi resposta, apenas incredulidade. Já sonhei com vaginas dentadas e vaginas cheias de serpentes, mas estava tranquilo no sonho, já que não eram voadoras. Depois, descobri que há mitos apaches e indus a respeito dessas entidades horrorosas. Em suma, sonhei com arquétipos.
Falando nisso, lembrei-me de um fato que aconteceu comigo: uma noite, um baratossauro invadiu a sala de aula e, no seu vôo absolutamente histérico, foi parar no meu ombro. Sim, as baratas têm, quando voam, uma falta de controle absoluto sobre seus atos e emoções. Aquele ziguezague só significa apenas uma realidade: ela vem sempre na nossa direção!
Olhando-a no meu ombro, inferi que um acontecimento desse naipe só podia ocorrer na Paraíba, estado-onde-tudo-pode-acontecer. Estava sentado na mesa e, diante do ataque, comecei a bater desesperado na criatura antidiluviana. Não caí, mas dei diversos pulinhos de equilíbrio, enquanto escutava as gargalhadas dos malditos alunos, até que consegui dar uma tapa forte no bicho. O problema foi que o optóptero abominável saiu direto do meu ombro até o rosto de uma aluna. A coitada, enlouquecida, começou a bater na própria face, esmagando a barata e fazendo-a espirrar seu suco marrom, que ficou escorrendo entre o nariz e a boca. Ela teve uma crise nervosa, e eu uma crise convulsiva de riso. Tive que respirar fundo, mas fundo mesmo, e atuar de forma profissional. Duas alunas ajudaram-me e retiramos a aluna da sala, que não parava de chorar.
Lá fora, junto da porta, a menina deitou-se e começou a tremer. Tudo indicava que ela engolira, sem querer, a gosma da barata, que é, como todo mundo sabe, extremamente venenosa. Começou a apresentar salivação excessiva, lacrimejamento, secreção nasal, aumento dos sons respiratórios por broncoconstricção, dificuldade respiratória, edema pulmonar, diarréia, diminuição dos batimentos cardíacos, constricção da pupila, tosse, vômito, micção freqüente, incoordenação motora. Depois apareceram tremores musculares, espasmos, hiperatividade.
Falando friamente para vocês, mas entre médicos, de uma maneira calorosa, parece que a morte se deu por insuficiência respiratória e asfixia (paralisia dos músculos respiratórios). Enfim, foi uma morte dolorosa.
Ela era uma ex-evangélica. Era a primeira vez que usava uma calça jeans, disse-me uma aluna, acreditando que era uma vingança divina.
Há coisas que só acontecem numa sala de aula.

















(rsrsrsrsrsrs), “Artur” muito engraçado seu relato, e é incrível que quando essas bichinhas voam, tem que vim sempre em nossa direção !!!!! fiquei com pena de sua aluna ‘ex evangélica’, acredito que ela tinha muitos planos, até calça jens já estava usando!
Fiquei tão preocupado com toda essa situação que pesquisei algo sobre o “medo terrível” desse inseto asquerozo:
Quando o medo é desproporcional, persistente e infundado, pode-se falar de uma fobia, que é uma reação de medo exagerado e irracional frente a um objeto reconhecido, pelo fóbico, como inofensivo. É o caso de fobias relacionadas a lugares escuros ou altos e a animais domésticos, como gatos e cães ou a insetos, tais como baratas. A fobia mais comum é a chamada agorafobia, em que ocorrem reações de medo intenso em situações em que a pessoa se sinta aprisionada, sem controle ou sem condições de ir para um lugar seguro.
Uma “receita” simples para enfrentar nossos medos consiste em:
· Conhecer mais sobre o objeto de nosso medo, pois a familiaridade com ele vai terminar por diminuir o medo dele. Se você tem medo de voar de avião, leia sobre eles, visite o Museu Aeroespacial, veja filmes sobre aviões, converse com pilotos. Assim, você vai aprender como os aviões são o meio de transporte mais seguro que existe, mais seguro até que as bicicletas (há quatro vezes mais probabilidades de se morrer de um acidente de bicicleta do que da queda de um avião).
· Não evitar as situações que causam medo, pois isto só leva a perpetuá-lo. Se formos evitar, sempre, todos os nossos medos, vamos acabar trancados em casa, com medo de que um avião ou meteorito nos caia na cabeça. Como dizia João Guimarães Rosa, autor de Grande Sertão: Veredas, um dos maiores escritores brasileiros de todo os tempos: “viver é muito perigoso”. Temos que entender e aceitar que os riscos fazem parte de nossa vida e que assumi-los é essencial para termos uma vida de boa qualidade. Além do mais, quando conseguimos nos manter na situação, o medo tende a diminuir. Portanto, não fuja dos seus medos, enfrente-os!
· Praticar meditação ou alguma técnica de relaxamento, que possa ser empregada na hora do medo, para ajudar a enfrentá-lo. Uma técnica interessante é o relaxamento por sinal, quando associamos a uma palavra como “calma” o estado de tranqüilidade induzido por técnicas de relaxamento. Então, na situação de medo, a evocação da palavra “calma” pode contribuir para nos tranqüilizar.
· Ir aos poucos. Se tivermos medo de baratas, o melhor é começar a ler sobre elas, ver ilustrações ou fotos delas. Só quando estas atividades não mais se mostrarem incômodas é que devemos buscar um contato ao vivo com baratas, indo a um lugar onde sabemos que as encontraremos, como um depósito de lixo.
· Manter uma atitude mental positiva constante, para evitar suas tentativas de enfrentamento do medo seja atrapalhadas pelo negativismo de pensamentos como “eu não vou resistir ao medo” ou “eu não consigo resistir ao medo”. Ao contrário, diga-se coisas como “eu posso resistir”, “eu quero resistir”, “eu consigo resistir”, que funcionarão como um suporte psicológico importante nos momentos de medo. Aliás, a atitude mental positiva constante ajuda sempre, em qualquer situação. Tente passar a se dizer mentalmente, em situações complicadas, a seguinte frase: “Calma, tudo vai acabar bem”. Você vai ver que terá mais disposição para enfrentar as dificuldades e para aceitar os inevitáveis fracassos que nos ocorrem de vem em quando.
Abraços a Todos !!!!
André, com teus ensinamentos, consegui vencer o medo. Agora, esmago qualquer barata, seja no chão, seja no ar. Aliás, passei a ter simpatias por baratas. Por causa disso, estou começando um criadouro de baratossauro no armário. Todo dia, abro-o e deixo os bichinhos voarem livremente por meia-hora. Legal, né?!
… (rsrsrsrsrs), muito bom “Artur” , e se quiser um ambiente com mais privacidade para suas ‘bichinhas’, deixe em seu armário umas duas caixas de sapato com pouquinho de papel dentro, elas adoram !!!!!
Abraços meu amigo !!!!
E nojo, André? Você tem uma receita para acabar com o nojo? Tô precisando…
Abç
Bommmm!!
Mas todas as baratas são aladas, com excessão das ninfas, que são as jovens, mas que futuramente possuirão asas, a não ser que venham a ter problemas genéticos.