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Ataque

18 de abril de 2008, às 15:00h

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Confesso uma coisa; afinal, um blog é um confessionário. Tenho medo de insetos voadores. Baratas aladas, são exemplos dessas abominações. Freud disse, uma vez, quando estava completamente bêbado de tanto tomar leite de gironda, vale frisar, que medo de barata é medo de vulva. Assim, tecnicamente, eu teria medo de vulvas voadoras? Fiz tal questionamento a alguns psi, mas não recebi resposta, apenas incredulidade. Já sonhei com vaginas dentadas e vaginas cheias de serpentes, mas estava tranquilo no sonho, já que não eram voadoras. Depois, descobri que há mitos apaches e indus a respeito dessas entidades horrorosas. Em suma, sonhei com arquétipos.

Falando nisso, lembrei-me de um fato que aconteceu comigo: uma noite, um baratossauro invadiu a sala de aula e, no seu vôo absolutamente histérico, foi parar no meu ombro. Sim, as baratas têm, quando voam, uma falta de controle absoluto sobre seus atos e emoções. Aquele ziguezague só significa apenas uma realidade: ela vem sempre na nossa direção!

Olhando-a no meu ombro, inferi que um acontecimento desse naipe só podia ocorrer na Paraíba, estado-onde-tudo-pode-acontecer. Estava sentado na mesa e, diante do ataque, comecei a bater desesperado na criatura antidiluviana. Não caí, mas dei diversos pulinhos de equilíbrio, enquanto escutava as gargalhadas dos malditos alunos, até que consegui dar uma tapa forte no bicho. O problema foi que o optóptero abominável saiu direto do meu ombro até o rosto de uma aluna. A coitada, enlouquecida, começou a bater na própria face, esmagando a barata e fazendo-a espirrar seu suco marrom, que ficou escorrendo entre o nariz e a boca. Ela teve uma crise nervosa, e eu uma crise convulsiva de riso. Tive que respirar fundo, mas fundo mesmo, e atuar de forma profissional. Duas alunas ajudaram-me e retiramos a aluna da sala, que não parava de chorar.

Lá fora, junto da porta, a menina deitou-se e começou a tremer. Tudo indicava que ela engolira, sem querer, a gosma da barata, que é, como todo mundo sabe, extremamente venenosa. Começou a apresentar salivação excessiva, lacrimejamento, secreção nasal, aumento dos sons respiratórios por broncoconstricção, dificuldade respiratória, edema pulmonar, diarréia, diminuição dos batimentos cardíacos, constricção da pupila, tosse, vômito, micção freqüente, incoordenação motora. Depois apareceram tremores musculares, espasmos, hiperatividade.

Falando friamente para vocês, mas entre médicos, de uma maneira calorosa, parece que a morte se deu por insuficiência respiratória e asfixia (paralisia dos músculos respiratórios). Enfim, foi uma morte dolorosa.

Ela era uma ex-evangélica. Era a primeira vez que usava uma calça jeans, disse-me uma aluna, acreditando que era uma vingança divina.

Há coisas que só acontecem numa sala de aula.