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Velhice e adaptação

1 comentário

Cada vez mais darwinista, pensando em adaptação, adaptação… encontrei uma frase de Steven Pinker — Como a mente funciona — que diz muito do meu estado de espírito:

“A veneração dos ancestrais deve ser uma idéia atraente para aqueles que estão prestes a se tornar ancestrais”

Ou, ainda, devemos ser mais prosaicos: meu avelhantamento explica minhas simpatias e meu futuro.

Mas penso nessa frase… Imagino o futuro ancestral que sairá de mim, depois de me escafeder e do serviço implacável dos vermes, único trabalho que, aliás, elimina as diferenças de classe. Pelo menos, sigo o destino dos Perrusi: quanto mais velho, mais impaciente e mais hedonista. Carpe diem, pessoal, carpe diem. Espero entregar-me a Thánatos quando meu corpo tiver exaurido a última chama de vida — não ficará nem uma última brasa de desejo. O safado ficará apenas com a carne putrefata; quem sabe, somente pó e nada mais. O hedonismo, claro, não vence a morte, mas lhe deixa uma vantagem mínima: o que adianta ficar com um corpo que, em vida, roeu até a moela todo o prazer de viver o mundo?

Certo, no final das contas, a morte é a única certeza que resta de uma biografia; mas, para que esperá-la e, até mesmo, pensá-la como redenção? Defendo que a melhor conduta diante de Thánatos é desprezá-lo até o fim, e de forma insolente: alegre e rindo sempre! Sim, é isso: o hedonismo é a arte do desprezo pela morte. Por isso, agora, comerei algo bem gorduroso e abarrotado de colesterol. Não seguirei o conselho das amigas defensoras de dietas espartanas e apologistas da ascese alimentar — viva o Bacon, o único deus materialista!

InscritosEmPedra
  1. Você esqueceu de Baco. E ainda faz bem para as coronárias…

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