Orelha do Livro da Semana
14 de abril de 2008, à s 23:14hTranscrevo a orelha do livro de Ivan Domingues, “Epistemologia das Ciências Sociais, Tomo I: positivismo e hermenêutica, Durkheim e Weber”, Edições Loyola, 2004. O cabra é professor da UFMG, sendo especialista em teoria do conhecimento. Tenho ainda de sua lavra, “O fio e a trama: reflexões sobre o tempo e a história”, editora Iluminuras, 1996, e de sua organização, “Conhecimento e transdisciplinaridade”, UFMG/IEAT, 2004. Quem escreveu a orelha foi Marcelo Perine, professor da PUC/Rio (muito fraquinha, mas vá lá…).
Lá vai:
Este primeiro tomo de Epistemologia das ciências humanas, Ivan Domingues, apresenta ao estudioso das ciências humanas a primeira parte, dedicada a Durkheim e Weber, de um panorama que só vai se completar com a publicação do segundo tomo sobre Marx e Lévi-Strauss. Entretanto, desde agora o leitor pode ter uma idéia da magnitude do projeto em curso e da acribia com que vem sendo realizado.
Fruto de uma longa familiaridade com os problemas relativos ao conhecimento humano, o Autor não poupa a seus leitores o esforço de cavar em torno dos fundamentos da questão. Embora a segunda e a terceira parte da obra possam polarizar a atenção do leitora já a partir do subtÃtulo, é na primeira parte que se encontra a ponta do diamante do labor filosófico do autor.
Com efeito, ao discorrer sobre as “formas de racionalidade e estratégias discursivas das ciências humanas na contemporaneidade”, o Autor enfrenta com acuidade problemas de epistemologia geral e suas implicações para as ciências humanas, tais como a questão dos paradigmas e modelos nas ciências humanas, seus padrões de cientificidade, seus esquemas de interpretação e suas exigências de verdade e de objetividade.
A grande coerência de uma obra tão extensa se deve, antes de tudo, ao fato de fazer da segunda e terceira partes uma espécie de campo de prova dos resultados obtidos em torno das questões epistemológicas fundamentais, desenvolvidas a partir do argumento do conhecimento criador. Sendo a coerência uma das virtudes maiores do discurso filosófico, o leitor tem motivos mais que suficientes para esperar verificá-la no já anunciado segundo tomo sobre Marx e Lévi-Strauss.Â


