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Por que os coiotes uivam?

10 comentários

Post antigo…


Um coiote uivando no bosque de Intermares.

Muitas vezes, não é fácil minha relação com os paraibanos; talvez, porque insistam em desmerecer minhas afirmações. Eu digo algo e não me dão crédito. Quando falo e explico alguma coisa, na maior parte do tempo, ficam calados; mas, não posso reclamar de um fato: eles me escutam. Darei um exemplo: ontem, tive uma conversa com um amigo sobre a presença de coiotes em Intermares.

_Não há coiotes por aqui, Artur – disse meu amigo, dando aquele suspiro abominável, que significa, entre os paraibanos, descrença.
_Há, sim. Eles estão surgindo e uivando macabramente nas noites de chuva.
_Devem ser cachorros. Os cães também uivam.
_Nunca escutei cão uivar. Por que uivariam?
_Por que os coiotes uivam?
_Perguntei primeiro, carai. Pra que virar um espelho e refletir as perguntas que faço? Você é lacaniano? Só temos, aqui, uma certeza: os coiotes uivam. Duvido que tenha fé sobre o uivo dos cães.
_Rapaz, parti da seguinte premissa: não há coiotes em Intermares; logo, quem uiva são os cães. Ou tem lobisomem em Cabedelo?
_Lobisomem uiva?
_Que eu saiba, sim. Em todo filme americano, o lobisomem uiva.
_Mas não há lobisomens em Intermares…
_Assim como não há coiotes…


Um coiote mal-humorado no inverno de Intermares.

Percebam, leitores, como é difícil a conversa com um paraibano. Eles são teimosos e inseguros, ao mesmo tempo. É uma combinação explosiva. Duvidam de um ponto, insistem nele, duvidam novamente, voltam a insistir, num círculo retórico infernal.

Para fins de convencimento, decidi mostrar ao meu amigo as gravações, que fiz, dos uivos dos coiotes. Eram lamentos impressionantes. Davam calafrios, mas também tristeza. Parecia o anúncio do fim do mundo ou do tsunami que destruirá Intermares, segundo o cientista cearense Vancarder, após a explosão de um vulcão nas Ilhas Canárias.  Porém, o paraibano não se convenceu e insistiu na tecla dos uivos de cachorros. Diante de mais uma incredulidade, decidi levá-lo à praia de Intermares. Queria encontrar pegadas de coiote e, com isso, acabar com a polêmica.

Encontrei logo pegadas de coiote. Achei a descoberta uma obviedade, pois estava na cara que Intermares está repleta dessa espécie de lobo. Mas meu amigo duvidou e perguntou:

_Qual é a diferença entre pegadas de coiotes na areia e pegadas de seus primos, os cães?

Ele se abaixou e ficou olhando de perto a pegada. Meneou a cabeça e afirmou que aquilo ali era uma pegada de cachorro. Confesso que fiquei um tanto irritado; afinal, tive o trabalho de levá-lo até a praia e mostrar uma autêntica pegada de coiote. Mas não, o cabra insistia que era uma de cão.

_Veja, essa pegada não tem marcas de garras. As garras dos cães tendem a ser mais longas, já que eles passam pouco tempo cavando.
_Isso não prova nada. A elite paraibana corta as unhas de seus cães!
_ Como assim?! – só faltava essa: uma afirmação sociológica sobre os hábitos da elite paraibana que desmentia minha prova factual.
_A elite paraibana copia a elite carioca e gaúcha. Todos cortam as unhas de seus cachorros. Sei, sei, é um costume ridículo, mas (o que podemos fazer?) os cariocas e os gaúchos são muito esquisitos.

Fiquei calado, pensando. Então, tive uma bela de uma intuição. Levei meu amigo para um lugar mais alto. De lá, dava para ver não apenas uma pegada, mas várias, uma trilha de pegadas, mais precisamente.

_Veja, olhe a trilha. As pegadas seguem uma extraordinária linha reta e estão em fila única. Um cão não deixa uma trilha assim. Olhe as patas traseiras alinhadas de forma perfeita com as patas dianteiras. A trilha de um cachorro é, geralmente, desordenada, já que o cachorro, feito um alesado, corre pra lá e pra cá. O cachorro é bem alimentado, o coiote não. Economia de calorias, meu caro.
_E um vira-lata?
_Mesmo um vira-lata não deixaria esse alinhamento tão perfeito. Além do mais, eles são bem alimentados; têm as latas de lixo. Você já viu um vira-lata numa praia? A elite paraibana não deixa — tentei ironizar.


Um coiote pronto para atacar uma tartaruga de Intermares!

Desta vez, quem ficou calado foi meu amigo. Ele parecia mais ou menos convencido da existência de coiotes em Intermares. Mas, como todo paraibano, precisava contestar alguma coisa:

_Mas… o que explica o uivo do coiote?
_Não sei… eu…
_Não gasta energia?
_De fato, gasta um bocado. O uivo não seria um chamado geral para a trepação entre coiotes? — eu disse, tentando salvar a ciência, a racionalidade e a evolução.
_Não há qualquer indício disso nas pesquisas sobre coiotes. O seu uivo é um mistério – disse meu amigo, agora um especialista em coiotes.
_Não sei…
_Acho o uivo um comportamento sem relação alguma com a adaptação, logo, não seria antidarwiniano? O uivo do coiote não demonstra que a teoria da evolução está errada? Não é a prova de que Deus existe?
_O uivo?!
_É, o uivo.
_Assim, sem mais, nem menos?
_É, o uivo.

Não retruquei, apenas dei meia-volta e abandonei as provas cabais da existência do Canis latrans. Provei a um paraibano que existiam coiotes em Intermares, mas perdera a discussão por causa de uma simples questão metafísica. Não esperava por aquilo. O uivo dos coiotes cravou incertezas na minha alma. Como ser ateu e tolerar o uivo do coiote?

Voltamos calados e calados ficamos

Sementeiras
  1. Esse seu amigo certamente não sabe diferenciar um javali de um chefe corso. Não tem estofo, portanto, para compreender a questão dos coiotes de Intermares.

  2. Pois é… Ainda demonstrei, de forma cabal, a existência de girondas pelos bosques nevoentos de Intermares, mas o cabra não acreditou…

  3. Nunca fui a intermares, broda, portanto não vi as pegadas, nem os bosques nevoentos; entretanto, minha experiência com os canis vulgaris me permite afirmar: eles também uivam. Só não sei se o motivo é a trepação, embora eu aposte nessa hipótese.

  4. Artur, estou supondo que essa conversa toda eh uma conversa cifrada so para iniciados eh assim que eu nao a entendo ( desculpa ai a falta de acentos , eh que nao sei onde encontra-los na maquina que uso)

  5. Não, bestinha, o assunto é literal: existem ou não existem coites em Intermares? Os paraibanos dizem que não; eu, que sim.

    Edmar, em Minas, o que existe é galo, galinha, galináceos. Esses uivos que vc escuta por aí, meu caro, é uivo de raposa.

  6. Ei, Artur, não esculhamba também, né?
    Se há coiotes em Intermares (e aqui não estou duvidando da existência deles, como aliás, não duvido da existência de lobisomens em New York nem de ETs dançando ula-ula em mercados), por que diabos você nega esse direito aos mineiros? Lá tem também. Só não atacam tartarugas marinhas, por alguma razão que eu não sei explicar. E, pensando bem, nunca vi pegadas de coiotes em alguma praia de Minas…
    Essa, só Darwin explica.

  7. As pobres raposinhas felpudas andam sumidas, Artur, principalmente depois de ser sapecada por 5 X 1 por um tal “Real Potosi”, com direito a dois gols de um elemento alcunhado “Pintos”.

  8. Boa tarde Arthur,

    vamos tirar duvídas se existe coiote em intermares o não,

    pegamos o paraiba seu amigo deixamos ele passar um temporada lá, de

    preferencia dentro dos bosque , porque se foi comido, será uma paraiba

    amenos, rsrsrsrsrsrsrsr e saberemos que aí tem coiote ou não.

    bjs

  9. Já sou bastante idoso e desde criança ouvia falar num bicho do mato, chamado coiote que na realidade é: primo, irmão, tio ou filho da raposa. O certo é que, eu a conheço e é bastante parecido. Se ele existe ou deixa de existir pode ser um problema da natureza, ou do homem mau.

  10. É uivo de raposa. E é impressionante mesmo.

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