Brioches e a ética que se escafedeu
Baixei a Ãntegra do dossiê, que circula no congresso, no Blog do Noblat (Clique aqui). Vi uma lista fútil de gastos do poder (tipo os brioches de Maria Antonieta — aliás, ela nunca mandou o povo comer brioches, mas há injustiças que devem permanecer eternas), nada de mais, nada de menos. Parece um cadastramento de gastos bobocas de gente babaca.
Afinal, é esse o conteúdo desse escandaloso dossiê? Caso seja mesmo, como irrita a mÃdia. A continuidade da irritação, renovada dia-a-dia pela mediocridade jornalÃstica, sempre se superando, galgando nÃveis crescentes de imbecilidade…   Sei não, a situação tá preta. Tô ficando cada vez mais… Aliás, pra que liberdade de imprensa? Pra que jornalismo? Imaginem um mundo sem jornalistas e sem jornais? Ah, doce totalitarismo… Sim, estou reacionário até a medula e, para corroborar, ainda cito um reaça monarquista, Balzac, aquele das “Ilusões Perdidas”: se a imprensa não existisse, seria preciso não inventá-la.
Ainda acham que estou sendo sectário? Ah, então, leiam o seguinte artigo e vejam a situação da formação profissional do jornalista. Pesquei o texto lá no Observatório da Imprensa:
O colapso da razão éticaPor VenÃcio A. de Lima em 1/4/2008 |
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O que leva um jovem profissional ou um aluno de pós-graduação a considerar “normal” que uma empresa de comunicação se alie a um governo ou aos interesses de um poderoso grupo de anunciantes e que seu jornalismo deliberadamente omita, distorça e manipule informações? Por que as constatações de que “todos fazem do mesmo jeito”, “se não fizer assim não sobrevive”, “esse é o jogo jogado” etc. se tornam suficientes para que profissionais se ajustem inteiramente ao “sistema”? Por que se considera que as empresas de comunicação “são empresas como quaisquer outras”, “seu objetivo é ter lucro” e para isso “devem fazer o que for necessário que se faça ou ficarão fora do mercado”? Por que os códigos de ética profissional são desconhecidos ou solenemente ignorados como documentos “fora da realidade” cuja aplicação levaria ao fracasso profissional e da empresa? Por que esses jovens não se consideram parte do problema - “é assim que funciona” - e consideram “ingênuos” os que eventualmente se sentem indignados e buscam caminhos para alterar a situação? Essas, por óbvio, não são questões novas e, certamente, não se restringem ao campo profissional das Comunicações. E, exatamente por essa razão, são questões que não podem ser ignoradas e sobre as quais temos o dever de retornar sempre. Qual a diferença? Em seu Jornalismo na era virtual: ensaios sobre o colapso da razão ética (Editora Perseu Abramo/Unesp, 2005), Bernardo Kucinski chama a atenção para o fato de que os jovens jornalistas rejeitam a possibilidade de uma ética”porque isso está em conflito com seus valores fundamentais, acima de tudo os valores individualismo e tolerância”. Lembra também que…
As ponderações de Kucinski certamente nos ajudam a compreender o que está acontecendo com os jovens estudantes e profissionais. É algo que vai muito além do próprio campo das Comunicações e - correndo o risco de parecer moralista - tem a ver com os valores e práticas que dominam o nosso tempo de pensamento único e capitalismo globalizado. A impressão que muitas vezes se tem, no entanto, é que enfrentamos no Brasil questões que já foram experimentadas, debatidas e, sobretudo, superadas em outras democracias capitalistas há várias gerações. Qual deve ser o compromisso básico norteador da formação dos jovens que buscam tornar-se jornalistas profissionais? O que diferencia uma empresa de comunicação de outra empresa qualquer? Qual é o paradigma dentro do qual o jornalismo deve ser avaliado? Complexidades contemporâneas Joseph Pulitzer, dono de jornal, modelo de jornalista e “pai” da famosa Columbia School of Journalism nos EUA, escreveu sobre formação profissional em 1904:
Na edição anterior deste Observatório tratei aqui das conclusões do relatório da Hutchins Commission publicadas pela primeira vez em 1947 (”O velho (novo) paradigma faz 61 anos“). A prevalência do paradigma da responsabilidade social de jornalistas e empresários de comunicação foi celebrada pelos membros da Hutchins Commission e tem sido muitas vezes confirmada por decisões judiciais nos Estados Unidos ao longo dos últimos 60 anos. Atravessamos no Brasil um perÃodo de profundas transformações que implicará importantes mudanças estruturais, regulatórias e em relação à natureza mesma do sistema de comunicações. Dessas transformações vai surgir um novo perfil (já em construção) de profissional e uma nova correlação de forças entre os principais atores do setor. O que literalmente assusta e perturba aqueles que temos responsabilidades na formação de profissionais do setor e na observação da mÃdia é que essas transformações estejam a ocorrer dentro de um profundo “vazio ético”, como diz Kucinski. Fazer nascer uma nova ética profissional que leve em conta as complexidades contemporâneas talvez se constitua em um dos principais desafios do campo das Comunicações nos próximos anos. |
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4 de abril de 2008, Ã s 22:53h
… Minha mãe faz um brioche muito gostoso !!!!
Hoje até choramos com à quele profissional, seja de que área for, que vence na vida porque foi ÉTICO, e lutou muito e com dignidade para conquistar seu espaço! Hoje esse ‘espaço’ é vendido, basta ser um “mau caráter”, aquele profissional que ‘burla’, que destrata seus próprios princÃpios para finalmente ‘mostrar’ a Sociedade que ‘ele’ é capaz, que ele, o profissional do futuro, é um vencedor, que não importa os ‘meios’, e sim a ‘comissão’ que o mesmo vai levar com tal ‘furo’ de informação!
Hoje até choramos com à quele profissional, que consegue escrever um texto, relatando basicamente a ‘verdade dos fatos’ e no outro dia não vê seu texto editado, publicado, porque o mesmo ‘faltou’ uma ‘pimentada’ de ‘inverdades’ para que o público possa ‘examinar’ com mais carinho, ou mesmo, para que algumas pessoas sejam prejudicadas com tais notÃcias falsas!
E assim vivemos em um mundo habitados por ‘fakes’, por ‘alter-egos’ perigosos que vivem em função das desgraças dos outros !!!!
Abraços FamÃlia PERRUSI … Felicidades “Artur” e parabéns !!!
5 de abril de 2008, Ã s 13:16h
… Outra coisa, a ‘imprensa’ não é polÃcia, nem justiça, apenas é um instrumento para ‘incitar’ a opinião pública, e ainda assim que seja um ‘jornalismo investigativo’, vai servir para ‘lançar’ informações para, posteriormente ser tratado pelos orgãos competentes da justiça!
Com isso a ‘imprensa’ NUNCA resolve nada, pois ela não tem competência pra isso, pois ela não é a JUSTIÇA, tá aà os caso ’serrambi’ ‘indisvendável’, e mais recentemente o caso familiar da garota ‘Isabela’ !!!!