Novidade sobre o dossiê

Nassif cita Noblat e a estória do dossiê sofre uma virada: parece que a oposição está envolvida no imbróglio! Mas, olha, caso seja realmente verdade, chamar a midia de golpista é eufemismo. De todo modo, ainda continuo com minha hipótese: tem gente da oposição e gente do governo envolvida no troço.

 Lá vai o post de Nassif no seu blog (quando faz comentários abaixo do texto de Noblat, Nassif sublinha o texto):

O dossiê do toucador

No final de semana coloquei um post sobre o dossiê mostrando que a imprensa inteira em Brasília estava atrás da fonte de Veja, a partir da conversa com um experiente repórter político de Brasília;

Todo mundo sabe que o governo está se armando. Mas o dossiê foi gerado fora do governo para criar um fato político (…)  Tem uma matéria Veja acontecendo neste momento, diz ele. Não é só calvinista, falso moralismo, não é só estupidez que está exposta. Tem bruxaria também e que está se desdobrando agora. O pessoal antigo de FHC voltou a operar. A grande pauta do momento é saber quem confeccionou o suposto dossiê.

A imprensa política de Brasília já tinha percebido a armação da revista. Todos estavam atrás da matéria Veja, indo atrás da fonte oculta – que tanto Veja quanto a Folha escondiam como podiam.

A divulgação da fonte pelo Ricardo Noblat foi uma operação de amenizar os estragos inevitáveis que estavam a caminho.

Eis a nota no Noblat:

Foi a oposição que divulgou dossiê do governo contra FHC

Montado dentro da Casa Civil da presidência da República, o dossiê sobre gastos sigilosos feitos durante o período Fernando Henrique Cardoso abrange os anos de 1998 a 2002.

O que vazou para a VEJA e a Folha de S. Paulo foi parte do dossiê. Com 13 páginas, lista despesas de 1998 a 2000. A outra parte do dossiê permanece inédita. Ela se refere aos anos 2001 e 2002.

Quem divulgou a parte conhecida do dossiê foi o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Ele se recusa a dizer de quem a recebeu.

Por meio de seus porta-vozes informais, o governo espalha que há um espião do PSDB infiltrado na Casa Civil. E que foi ele que repassou para Dias o que a oposição e a mídia chamam de dossiê.

Em conversa informal com jornalistas, Dias sugere que recebeu o dossiê de um parlamentar que apóia o governo, mas que discorda do uso de informações para chantagear a oposição.

Tá bom! Uma chantagem com o dossiê do toucador. Faltou incluir no dossiê os gastos com laminas de barbear e desodorantes.

A parte conhecida do dossiê reúne gastos que em nada comprometem o ex-presidente Fernando Henrique e sua mulher dona Ruth Cardoso. São gastos com aluguel de carros, compra de bebidas, lixas de unha, óleo para passar no corpo – enfim, miúdezas justificáveis.

Gastos que poderiam constranger o casal, principalmente se revelados fora de contexto, constam da parte ainda desconhecida do dossiê e se referem aos anos 2001 e 2002.

O cartão corporativo para uso em serviço de autoridades da administração federal foi criado em 1998, mas só implementado em agosto de 2001. Antes dele existia um fundo que bancava despesas sigilosas do governo.

Quando o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, disse a um senador da oposição que até a compra de um pênis de borracha fazia parte da relação de gastos sigilosos do segundo mandato de FHC, referiu-se a um ítem que consta da parte ainda inédita do dossiê.

É razoável deduzir, pois, que a parte do dossiê conhecida com despesas, chamemos assim, “inocentes”, circulou para prevenir a oposição sobre o que poderia estar por vir caso ela teimasse em investigar a fundo as despesas sigilosas do governo Lula.

Olha a contradição. Aqui se diz que o dossiê circulou como um aviso para a oposição. Mais acima, o Senador Álvaro Dias informa que recebeu de um parlamentar da oposição que seria contra a chantagem.

Ao vazar o que recebeu, o objetivo de Dias era, primeiro, desgastar o governo e, segundo, abortar uma eventual divulgação do resto do dossiê. Dias teve êxito.

Tá bom! É um vitorioso.

O governo foi obrigado a reconhecer que os dados do dossiê fazem parte, sim, de um banco de dados da Casa Civil. E se apressou em anunciar que nada existe ali capaz de deixar mal o casal FHC.

Esse será mais um nebuloso episódio do governo Lula destinado a dar em nada.

Igualzinho ao Dossiê Cayman. A cada dia o repórter divulgava um pedaço do dossiê e bradava: o governo tem que explicar!

Ao governo não interessa apurá-lo – afinal, ele sabe quem mandou montar o dossiê e quem o montou. Funcionário algum da Casa Civil ousa dar qualquer passo sem antes consultar a ministra Dilma Rousseff. Ela é o ministro mais centralizador do governo Lula.

A oposição não tem como apurar o episódio. Pediu que a Polícia Federal apurasse, mas o ministro Tarso Genro, da Justiça, se apressou em garantir que ela não o fará.

Antes Veja não podia dar nenhuma indicação sobre sua fonte, nenhuma. Fosse um jornalismo sério diria: um senador da oposição, que disse ter recebido de um parlamentar governista… Nada! Quando a imprensa inteira sai atrás da fonte, e o cerco aumenta, cria-se uma saída canhestra.  A fonte é o senador Álvaro Dias, mas que tinha outra fonte, que ele não pode revelar quem é. Dizer que “a Polícia Federal não o fará é factóide”. O senador Álvaro Dias faria, se quisesse.

Quanto à CPI do Cartão Corporativo, ela nasceu morta. E não ressuscitará. O governo dispõe na CPI de folgada maioria de votos para barrar qualquer proposta da oposição que lhe pareça incômoda. E não tem a menor vergonha de acioná-la.

Comentário

Alguns leitores estranharam a ênfase com que me coloquei contra essa denúncia. Sustentei aqui, a partir de um certo conjunto de informações divulgadas pela mídia, que era um factóide. A ênfase foi a mesma que tive com outros factóides criados pela mídia, desde a Escola Base ao Dossiê Cayman.

Durante todo o governo FHC a oposição foi golpista. Durante o governo Lula, a oposição foi golpista. Nos dois momentos, a mídia apoiou o golpismo, sem nenhum compromisso com a democracia.

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