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A correlação positiva entre ciúme e chifre

4 comentários

Rapaz…

Bem, muitas vezes no texto abaixo, o argumento é tautológico e o objeto do estudo é ingênuo (um psi é, antes de tudo, um inocente), mas a pesquisa é curiosa. Gostei de saber que o ciúme estimula a traição conjugal. Os coitados dos ciumentos, além de traídos, serão culpabilizados. Imagino a cena:

_Mas você me traiu! 
_Também, né, você tinha ciúme de mim!

Tenho vári@s amig@s que ficarão ainda mais ciument@s, sabendo dessa instigante informação. Pelo que entendi da pesquisa, com isso, antecipam seus chifres…

Pesquei o texto na Agência USP de Notícias.

Lá vai:

Psicólogo testa comportamentos relacionados à infidelidade e mitos amorosos

Todos têm crenças e conselhos a dar quando o assunto é amor. A psicologia também estuda esse fenômeno comportamental e, pela primeira vez, uma pesquisa comprovou algumas teorias sobre o assunto. Uma das conclusões foi a de que quanto mais ciúme se sente em relação ao parceiro, mais chances há de este parceiro se envolver amorosamente com outra pessoa.

Esse fenômeno, chamado “profecia auto-realizadora”, nunca havia sido comprovado nos relacionamentos amorosos. Os testes foram realizados para a dissertação Ciúme romântico e infidelidade amorosa entre paulistanos: incidências e relações, apresentada ao Instituto de Psicologia (IP) da USP pelo psicólogo especialista em relacionamentos amorosos Thiago de Almeida.

No campo amoroso, a “profecia” relaciona o ciúme à infidelidade afirmando que o conjunto de crenças ciumentas que se tem a respeito do outro, quando em nível elevado, pode incentivar a outra pessoa a se engajar em comportamentos relacionados à infidelidade pois, sutilmente, essas expectativas de traição são comunicadas a ela.

Homens e mulheres

Foram entrevistados 45 casais heterossexuais, de várias idades, que estivessem juntos há pelo menos seis meses. Eles responderam, individualmente, a perguntas de comportamento sobre ciúmes e infidelidade e, três meses depois, responderam novamente às mesmas perguntas. Dessa forma, o psicólogo pôde estudar se o ciúme e a infidelidade haviam aumentado em cada caso, e estabelecer a relação entre eles.

Os resultados apontaram também que não há diferença significativa de níveis de ciúmes entre homens e mulheres. Apesar disso, os homens têm tendência maior a trair. “Não quer dizer que traiam mais”, explica Almeida. “Eles estão apenas mais predispostos a procurar outras relações – o ser humano não é naturalmente monogâmico. Mas a cultura não incentivará esse comportamento e limitará a busca de novos parceiros.”

Mitos

O estudo também discutiu, com bases em literatura já publicada e nos testes realizados por Almeida, sete mitos clássicos da psicologia dos relacionamentos amorosos. O primeiro deles diz que todas as pessoas são infiéis. Porém, de acordo com estatísticas internacionais, 60% dos homens e 90% das mulheres são fiéis ao longo da vida.

Uma outra crença aponta que os casos devolvem a paixão a um relacionamento monótono. Segundo o psicólogo, estudos apontam que dificilmente relacionamentos estáveis se recuperam após uma infidelidade.

Quanto ao quem é infiel não ama seu parceiro, Almeida diz que a infidelidade não é necessariamente a busca por outro amor. Diversos fatores, como a busca pela “novidade”, intrínseca à natureza humana, podem contribuir para que ocorra uma traição.

Em relação à crença de que a pessoa escolhida é melhor do que a pessoa traída, o psicólogo comenta que “ninguém completa plenamente o outro, portanto, é preciso conviver com a falta e desenvolvermos as características que consideramos importantes e que possivelmente estão latentes nos parceiros que escolhemos”, enfatiza. Isso significa que nem sempre se trai porque o amante é melhor, mas a própria ausência do parceiro contribui para que se realize uma nova conquista.

Sobre o mito de que a culpa da infidelidade é do traído, por não satisfazer o parceiro, Almeida considera que a culpa não é de ninguém. “A ausência (física ou de apoio psicológico) do outro parceiro e a busca pela “novidade” apenas potencializam a traição”, afirma.

Outro mito apontado pelo pesquisador é: a melhor abordagem para a infidelidade é fingir que não se sabe de nada. Segundo Almeida, a maior dor não é ser traído, mas sim saber que o parceiro acredita que você ignore a situação. “A infidelidade não vem do sexo, mas do segredo”, explica.

A última crença aponta que após a traição, é melhor acabar com a relação. De acordo com o pesquisador, assim como um relacionamento tem um contrato de fidelidade, quando ocorre a infidelidade se estabelece um novo contrato, com novos acordos. “Terminando-se a relação ou não, de qualquer maneira o evento da infidelidade será traumático. Mas estudos revelam que apenas três de cada dez pessoas traídas não perdoam o parceiro e se separam definitivamente”, informa.

DimasLins
  1. Putz, fiquei na dúvida se é a pesquisa que é tão ruim, ou se é a cobertura que não a compreendeu.

    Vi o carinha entrevistado dizer: “quando o parceiro mostra ciúme, aquele estímulo que era neutro passa a ser discriminado”, e coisas do gênero.

    Ora, sabendo que o modelo behaviorista é totalmente estatístico, e um pouco avesso às normas das “agências controladoras”, é difícil aceitarmos que um tipo de pesquisa com índices de significância seja confundida com índices de determinância, não é mesmo?

    Isso tudo é muito tosco.

  2. ou melhor, a existência dos behavioristas mostra que eles não são tão avessos assim às agências controladoras, hehehehhe

    fica engraçado isso ao ler Skinner: identificar agências controladoras com Walden II

  3. Grande Catatau, sabia que você se interessaria por essa pesquisa!

    A pesquisa é uma idiotice. Serve apenas para papo em mesa de bar, tipo provocar o (a) ciumento (a) e deixá-lo (a) mais ciumento (a) ainda.

    Mas vc acha a pesquisa behavorista?! Embora as duas psicologias venham muitas vezes juntas, essa pesquisa não seria mais alicerçada num cognitivismo besta, já que baseada fundamentalmente em entrevistas?

    Bem, de todo modo, sendo behavorismo ou não, essa pesquisa é ciência vulgar.

    Por falar em behavorismo, um livro, que parece resgatar um behavorismo mais complexo e sem tanta pretensão à generalização, é o “Behavorismo radical” de Kester Carrara. Abração.

  4. Poisé,

    Me pareceu behaviorista pelo discurso de um dos pesquisadores, ao falar de “estímulo neutro”, e sugerir a posteiror discriminação

    Concordo, é bem mais papo de bar, rssss E também é como toda outra teoria: há um grande abismo entre o behaviorismo e a maioria dos behavioristas (e nem se fale do metodológico, hehehe)…

    abração,

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