
Curioso, remexia no Baú de Freud, lá no sótão de minha casa, e encontrei alguns bilhetes um tanto enigmáticos. Aparentemente, não são de Freud. De quem são?! Sua cunhada? Lou Salomé? Jung?
Aí vão seis bilhetes:
Bilhete nº 1: “… Ao mesmo tempo, entretanto, a mulher é diferente do homem - é um contrário semelhante. A relação entre ambos precisa da diferença para existir. Mas precisa também da experiência de não deixar que a imagem continue sendo apenas uma imagem, ou seja, de também se aventurar no real. Assim na identificação imaginária homem-mulher, primeiro aparece a diferença, mas para logo ser abolida. O prazer, o gozo regridem na abolição da diferença, na morte dos termos de sujeito e objeto: homem e mulher reafirmam o poder de se assemelhar, de buscar o duplo imaginário de si mesmo, de espreitar a morte, esse outro radical, objeto fascinante, do sujeito”
Bilhete nº2: “A gente não possui um ao outro por meio do corpo, mas apesar do corpo, que, como todo mundo sabe, não se identifica jamais completamente com o todo da pessoa, mas aparece sempre como uma parte dela e resiste à dominação mais viva”
Bilhete nº3: “O ato sexual é o meio pelo qual a vida nos fala, como se o amante não fosse apenas ele mesmo, mas também a folha que treme sobre a árvore, o raio que cintila sobre a água - mágico da metamorfose de todas as coisas, uma imagem explodida na dimensão do todo, de tal modo que nos sentimos em casa onde estivermos”
Bilhete nº4: “… o amor que não tem finalidade, não tem fim, não se destina, enorme vão livre, monolito, monumento no nada, afirmação e desejo (que permanece, mas não tem onde se apoiar senão em si mesmo). Fragmentos, passagens dessa relação entre vida e morte, trabalhada de novas formas, na tradição da paixão e sua metafísica (que diz respeito a uma comcepção de sujeito constituído sobre a falta), mas revertendo num salto mortal a dimensão de aniquilamento que o amor contém: ‘Quem poderá fazer aquele amor morrer/ se o amor é como um grão/ morre e nasce trigo/ vivo e morre pão’ “
Bilhete nº5: “A alegria é passagem de uma perfeição menor a outra maior, sentimento de que nossa capacidade ou aptidão para existir e agir aumentam em decorrência de uma causa externa, na paixão, e de uma causa interna, na ação”
Bilhete nº6: “O desejo, longe de perder de vista a carne que lhe deu à luz, tende em definitivo a erotizar o universo!”
Este artigo foi postado
em 29 de março de 2008, às 19:45h na categoria Crônicas.
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