Uva moscatel

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Não sei… eu até que me acho pessimista, a ponto de querer assassinar qualquer ação, principalmente aquelas otimistas e recheadas de boas intenções — nesse mundo velho e enfadado, o otimismo é uma filosofia cruel. Faria, numa boa, uma emboscada para qualquer indivíduo metido a bonzinho. Os santos, comigo, morreriam apedrejados, e eu seria o primeiro e o último a jogar as pedras. Mas, apesar de tudo, admito que o mundo melhorou em alguns aspectos; ora, é inegável que um dos progressos antropológicos mais fundamentais está sendo a liberdade sexual. Vejam Jampa, por exemplo, ou até mesmo Recife ou, quem sabe, a formosa Cabedelo: são modelos de espaços urbanos onde qualquer cidadão ou cidadã pode assumir suas preferências sexuais. Certo, vá morar no mundo islâmico e tome na jaca, contentando-se apenas com as surubas nas mesquitas ou nos banhos turcos, isso se você for do gênero masculino, por que sendo mulher já sabe: lenço na cabeça e pano por todo lado.

Em suma, não deixa de ser interessante viver nesse mundo onde cabem todos os delirantes donjuanescos, os sodomitas sadomasoquistas, os voyeurs, os torcedores do Sport e outros quejandos que tais. Jóia. Sim, ao contrário dos papas da Idade Média, não sofremos mais de afania.

Atualmente, o cara pode ser feliz sexualmente qualquer que seja seu enfoque - ou, como diria Shakespeare, o seu enfuck (há, há, há - demais, demais…). Digo até que tudo isso deve-se ao doutor Freud. O cabra conseguiu reabilitar Édipo, justamente aquele que matou o pai e comeu a própria mãe! Se o Ocidente ainda tinha relutâncias morais contra a fornicação desenfreada, Freud deu o golpe de misericórdia: mostrou que as criaturas mais depravadas e pervertidas eram os noss@s pequerruch@s. Quando olho as filhinhas de alguns de meus amigos, pedindo ao pai um cavalinho, tenho vontade de fazer um vídeo pornô! Realmente, Sigmund liberou geral. Certo, as pessoas mais reprimidas são os psicanalistas, mas isso é outra estória. O que importa é que qualquer samaritano ou samaritana pode cair na putaria sem o temor de virar estátua de sal ou ser punido pela dengue hemorrágica ou afogado pelo estouro de Tapacurá. Qualquer sobrinho meu já conhece o felatio e o cunnilingus - na verdade, se não conhecem de nome, seria porque não estão ligando o nome à pessoa.

Na internet, soube de uma freira falofóbica, quer dizer, que sofria de manzapefobia, cuja virtude era só fazer amor com uva moscatel. Parecia estranho, impossível, e tive até pena de sua provável solidão, mas não é que mais adiante ela afirmava que tinha encontrado um búlgaro, um tal de Zarkov, o qual possuía a mesma concepção moscatel de amor!? Não duvido nada que, atualmente, o casal insólito tenha encontrado um japonês e um anão para misturarem no moscatel.

O que vocês acham de uvas moscatéis? Quando comerem uvas, pensem na freira. Essa é a lição e a praga do blog…

8 Comentários para “Uva moscatel”

  1. Gil:

    Broder:

    Dois comentários:

    1 - Vi um flash com Aldir Blanc e seu neto na TV paga nesse final de semana. Blá blá blá sobre futebol, etc até que Aldir explica que no tempo do neto dele tudo é muito fácil. Tem Internet, DVD, Playboy, enfim.

    No tempo dele era muito mais difícil. E apresenta uma de suas relíquias juvenis, o “Albun da Punheta”, um caderno muito velho com fotos de vedetes de… biquini!

    2 - “Quando olho as filhinhas de alguns de meus amigos, pedindo ao pai um cavalinho, tenho vontade de fazer um vídeo pornô!”

    E VOCÊ FICOU DORMINDO NO QUARTO DAS MINHAS FILHAS QUANDO VEIO AQUI! TARADO! PERVERTIDO! SE SOUBESSE TINHA QUEIMADO OS LENÇÓIS!

    Afe!

  2. perrusi:

    Tuas filhas, infelizmente, não eram “filhinhas” e nem pediram “cavalinho”; portanto, escaparam — talvez, por pouco — de Artur, o tarado de Cabedelo.

  3. taciana:

    O texto da uva foi para se recompor do aviso que agora escreves a sério também ? Pois parece, dado que o texto da uva traz as marcas de toda tua insanidade que um texto sobre Weber digamos que não possibilita na escrita. Como Weber faz parte do meu passado e eu estou de férias fico com as uvas. Sabe quando a gente vai saber que o mundo andou ( nem digo que para melhor)? Quando ao invés de Aldir Blanc e seu neto e seu caderno, houver uma mulher, sua neta e seu diário, contado como era a descoberta da sexualidade para ela. Uma pergunta para vocês: uvas moscatel e suspiros de Scarlett não são parecidos ?
    Ah reconheci uma evolução tua, Artur, com relação às crianças: antigamente tu queria matá-las, né ? Pulando esse momento esquisitão de agora, vislumbro o dia em que vás amá-las e achá-las lindas.

  4. Edmar:

    Em priscas eras, depois do último tango… eu sempre tinha essas lembranças quando via manteiga…

  5. perrusi:

    Ah, quanto a isso, concordo contigo e sou até otimista. Acredito que chegará esse tempo (se não já chegou) da neta ou do neto discutindo com sua vovó sobre os seus diários íntimos. Mas veja se o mundo não melhorou um pouquinho (nesse quesito, é claro, e, talvez, apenas em alguns segmentos sociais): a primeira transa da minha geração era na zona (”tirar o queijo”, como se dizia). Hoje, é com @ namorad@ ou @ coleguinh@. Algo parecido também aconteceu com as meninas. Inclusive, os problemas afetivos-sexuais da gurizada são bem diferentes dos da nossa geração. Eles são de uma geração pós-68 que assume, não sem contradições, algumas aporias e esgotamentos da revolução de 68. (baseio-me nas minhas amizades sub-25 e sub-20 e sobre os relatos de meus amigos a respeito das aventuras sexuais de seus adolescentes)

    Se a repressão sexual ainda é hegemônica, o seu discurso, no mínimo, possui uma legitimidade já carcomida pela vida (pós) moderna. Cadê os sintomas da repressão sexual? Cliniquei anos e nunca encontrei uma histeria charcotiana ou freudiana. Por quê? Porque só existem sintomas histeriformes e não mais “histéricos” — o que domina agora na sinltomatologia psiquiátrica é a depressão, doença do fracasso e da responsabilidade (sofrimento psíquico da modernidade tardia).

    “Uvas moscatel e suspiros de Scarlett não são parecidos”? Como vc adivinhou?! Há um filme no qual Scarlett come uvas de uma forma… Bem, deixa pra lá. Pena que eu não saiba dizer se são moscateis ou não.

    Ora, bestinha, sempre escrevo a sério (hehe). E se lembre que Weber era completamente doido, um maníaco-depressivo. A sua teoria da gaiola de ferro foi escrita quando pensava sobre as relações entre pardais e burocracia; ora, essa relação é insustentável e tendente ao fatalismo! Por isso, o famoso vaticínio de Weber: “todo pardal burocrata é um engaiolado!”

    Não seja injusta, eu amo as criancinhas. Acho lindo, por exemplo, um baby-beef… bem tostadinho (hehe).

  6. taciana:

    Artur, jogo rápido porque esse assunto das mudanças do mundo é o meu dia a dia de trabalho e estou de férias. Penso assim: as mudanças com relação à sexualidade são como se fosse uma música que antes era uma valsa e agora é trance, o ritmo mudou, mas a letra e melodia continuam as mesmas. Mudanças mesmo só quando conseguirmos criar uma música realmente outra, acordes e poesia. um beijo para tu

  7. Cynthia:

    Taciana,

    Que bom saber que não estou sozinha na minha tentativa de educar Artur. Meu deus, que tarefa hercúlea! Vamos fazer uma coisa: você ataca daqui que eu ataco do Cazzo - uma hora ele se rende.

    Beijos!

  8. Ana Cláudia:

    Gelada ou natural? Esse é um dado importantíssimo, que não foi revelado.
    Já houve o tempo da banana, agora vem a uva. Depois, quem sabe? Maxixe? Manga espada (opa, essa pelo menos tem nome sugestivo)? Fruta-pão? Ou quem sabe açaí ou guaraná para a turma da malhação?
    Será que a freira já ouviu falar em mosteiro ou sex shop? Enfim, cada um com seus gostos.

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