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Meme
O famoso blog “Na Prática a Teoria é Outra” enviou-me o seguinte “meme” (espécie de criatura simbólica e produto da cultura humana, seguindo outras vias evolucionárias):
1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.”
Os memes são sagrados. O imperativo categório é responder. Este mesmo já vinha do Hermenauta, que tinha recebido de… assim por diante.
Está na minha frente um livro de Alain Renaut (neokantiano francês) “O Fim da Autoridade”, tradução portuguesa do Instituto Piaget. Este livro está na minha frente por um motivo prosaico: impressiona-me a perda da autoridade do docente diante dos discentes. Muitos alunos não nos respeitam mais. São agressivos e extremamente suscetíveis com qualquer argumento de autoridade. Detestam críticas, sempre levando para o lado pessoal. Sem cessar, têm o tempo todo razão. A autocrítica é uma palavra absolutamente esotérica. Pessoalmente, tenho a experiência suficiente para contornar esse problema, mas muitos colegas sofrem barbaridades com seus alunos.
O livro trata justamente dessa crise que se instalou na relação educativa e na autoridade tradicional. Segundo Renaut, a pressão igualitária da democracia e do individualismo moderno detonou a tolerância com as relações assimétricas (todas as relações assimétricas, mesmo as necessárias). Tudo virou contrato e, com isso, toda autoridade é “construída”; além do mais, pode-se rasgar o contrato a qualquer momento. Tudo é mediado pelo diálogo e pela compreensão. Convenhamos, é o reino da pusilanimidade. Conheço tiranias domésticas praticadas pelos filhos; bebês que manipulam os parentes diretamente do berço; ditaduras pedagógicas de alunos; novos fascismos do poder jovem…
No livro, Renaut aborda criticamente essa situação, propondo alguns questionamentos interessantes, sem precisar postular a defesa da volta da autoridade tradicional, como fazem os ratzingueiros. Comecei há pouco a lê-lo, por isso estou longe da página 161. Mas bora lá:
“Representação que fundamentou a noção penal de responsabilidade e a prática das penas que a acompanhou, com a noção vaporosa dessas famosas “circunstâncias atenuantes” com referências às quais se poderiam determinar graus de responsabilidade”.
Envio o meme para os seguintes blogs:
Catatau
Ninho Da’Ninha
inscritoempedra
Estradar
Segunda Mão
Por fim, embaixo está a continuação do conto erótico de Perrusi Pai (faço uma pequena experiência com links):

















Uau, legal a referência pelo menos por 3 questões:
- como um pós-kantiano articula kant com piaget
- a própria questão do estatuto do professor hoje em dia, especialmente no Brasil (e digo que também já passei por barbaridades nesse contexto)
- a questão das circunstâncias atenuantes, que não compreendi bem para onde vai na tua passagem, mas decerto chegue em algum ponto interessante
Bora lá continuar a corrente!
abração,
Catatau, só em Portugal para um “Instituto Piaget” publicar um neokantiano, ainda mais… francês (hehe). Falando sério, o “instituto” (nem sei se é isso mesmo), de fato, publica muitas coisas — inclusive, há uma coleção de “história da filosofia política” organizada por Renaut. A frase citada está no capítulo 4: “punir”. Ele é dividido em quatro partes:
- “quem punir? Resposta antiga, resposta moderna”
- “Como punir? A modernidade da autoridade judicial”
- “Por que Punir? A utopia antimoderna”
- “Punir hoje” (onde está situada a frase)
Artur,
O Estradar já entrou na corrente.
Vamos que vamos!
Dimas
O “famoso blog” foi ótimo, hein? Você deve ter muito mais audiência que eu! Sua citação ficou boa, a maioria (a minha inclusive) ficou meio sem pé nem cabeça. A propósito, anotei o nome do livro para referência futura.