Acompanhe o RSS: Artigos | Comentários | Email

Galo da Madrugada – parte II

4 comentários

Por Perrusi Pai 

Marquinhos era mesmo uma gracinha! Além de bonito, muito inteligente e, o que era mais importante, de uma sensibilidade fora do comum no ambiente impregnado de machismo e mau gosto do forum. No almoço, conversamos sobre tudo menos carnaval e Direito. Pra minha surpresa, Marquinhos começou a falar de algumas coisas de minha vida que eu própria já havia esquecido.

Ainda menino, segundo contava, me via sair para o trabalho, meio escondido no terraço de sua casa, nos Aflitos, bairro onde morei depois de casada e com filhos. A princípio, fiquei meio silenciosa, apenas comendo pedacinhos de camarão ao alho e óleo, intercalando com uns goles de cerveja. Achava tudo aquilo estranho e pensava na coincidência do momento, ouvindo confidências de um antigo admirador adolescente, ainda por cima voyeur.

Jamais havia percebido que, na casa defronte, se escondiam dois olhos atentos aos meus movimentos. Na época, vivia com Leonardo. Um casamento feliz e cheio das canseiras normais de um casal de classe média, meio intelectualizado, que trabalha, cria filhos, paga dívidas, estuda e, de vez em quando, faz uma pequena viagem de férias.

Comecei a me lembrar desses primeiros tempos. Do apartamento sem elevador, com falta d’água quase diária, dos conflitos com o proprietário, da rotina de compras no supermercado, da chatura do trabalho, das noites sem dormir direito por causa das crianças. Da cama, das brigas, dos ciúmes, dos sonhos com Léo…

_ Não está gostando do prato?  Ouvi a voz de Marquinhos, saindo quase do nada, talvez em resposta ao meu silêncio pensativo.

_ Não! Não é isso! Jamais pensei na casa defronte. Azulada, não é mesmo? 

Respondi, como se estivesse voltando de estranhas e longínquas paragens. De um passado quase morto, cuja única lembrança mais forte, talvez, fosse a constante falta d’água. E de sal! Sal? Por que sal? Pressão alta, quem sabe!

_ Estou sendo indiscreto, Beatriz?

_ Não! Acho que não! É que, de repente, no meio de todo esse alvoroço, depois de tanto tempo, você me faz lembrar coisas, pessoas, situações enterradas. Fantasmas! Nem todos desagradáveis, é claro. Às vezes, detesto nostalgia e você me provoca justamente isso. Logo agora, depois do Galo e  no meio de tanta brisa!

_ Tudo bem! ─ Continuei ─ Então, você era o menininho que ficava escondido me olhando? Por quê? Para quê?

Marquinhos mostrou-se confuso, engasgando-se um pouco.

_ Não é bem isso que você está pensando – gaguejou.

_ Não! Não era! Não é! Você não sabe o que estou pensando – respondi.

_ Puxa! Pelo seu olhar, me senti um verdadeiro espião da vida alheia. Você era a musa de minha adolescência. Nada mais! Apenas olhava você sair e voltar porque coincidia, às vezes, com minhas idas e vindas da escola. Somente isso!

_ Olha, Marquinhos! Apenas pensava nas coincidências da vida. Nada mais! Um pouco como  me sentir presa em flagrante. Eu vivia, você me olhava. Não sabia que era observada. Tudo bem! E que tal, agora, invertermos os papéis? Eu olho você. E sua vida, onde está?

_ Não entendi. Você quer saber como eu vivo, ou como  vivia?

_ Oh, não! Todos os adolescentes são iguais! Babacas que só pensam em sexo e aventuras. Quero saber quem é você, agora, neste exato momento de uma tarde de carnaval.

_ Olha, Beatriz! Para ser franco, eu não sei como vivo. Trabalhar o tempo todo e construir fantasias, em momentos de folga. Só isso!

_ Mas, pelo menos, você tem fantasias, o que já melhora um pouco. Pensava em você como uma maquinazinha de fazer dinheiro bem informada e com uma certa sensibilidade. Acho  que tenho uma certa culpa neste tipo de conversa. Afinal, fui eu quem achou você, no meio de tanta gente. É que, há muito tempo, eu queria saber quem era você e, agora, você se confessa um velho conhecido. Acho que a ironia de tudo está aí. Uma quase quarentona e um rapazola, defronte do mar, sem saberem o que fazer. De repente, me sinto a mocinha que você olhava do seu terraço…

_ Com uma condição! – Cortou, timidamente, Marquinhos.

_ Que condição? – Respondi, um pouco entediada.

_ Tudo bem! – Animou-se o rapaz – _Como estamos no Carnaval, suponha que o tempo parou pra você e acelerou pra mim. Admito, e até gosto, de ver a mocinha de antigamente. Mas, imagine, também, se quiser brincar um pouco, que eu cresci e, por um passe de mágica, emparelhei com você na idade. Em suma, somos dois jovenzinhos, saídos da Faculdade, e que se encontraram no Galo, por acaso. Continuemos a brincar, mesmo que, depois, a gente volte a ser o que a gente pensava que era. Que tal?

_ Ora, meu queridinho! O que você está querendo? – Disse, com um riso gaiato.

_ Nada, nada demais! – Sorriu Marquinhos, de um jeito entre irônico e, talvez, safado demais, para a idéia que eu fazia dele. Mas, enfim, por que não virar a DIANA pelo avesso? Quem sabe, o espelho não lhe faria bem naquela hora?

_ O.K., Dr. Marcos! – Falei um pouco solene de brincadeira. _ O que o senhor pretende de mim? Por favor, não me peça mais do que um dia de Carnaval possa proporcionar. Tá legal?

O almoço terminara e pagamos a conta, meio a meio. Um pouco tonta, pelo calor, pela cerveja e por uma intensa curiosidade sobre o que iria acontecer, se acontecesse, naquele fim de tarde.

Saímos do restaurante e Marquinhos me chamou para andar na praia, de pés descalços. O mar estava secando e havia uma boa fatia de areia, um pouco molhada e gostosa de pisar, depois de tanto sol. Meus pés estavam doloridos e a areia úmida me fazia bem. Minha cabeça se recusou, finalmente, a recuar no passado e a proposta de Marcos se tornava realidade, como se eu ainda tivesse meus vinte e poucos anos, acompanhada de um colega da mesma idade. No duro, no duro, não sabia, nem imaginava o que iria fazer, nem tampouco o que Marquinhos queria aprontar. Uma proposta vaga para um dia sem compromisso, depois de uma agitação que quase me enlouquecera.

Era como se, de volta à casa, me sentasse numa cadeira de balanço e começasse a imaginar um folhetim do século passado, em que, diante da imensidão da praia, duas pessoas subitamente sozinhas pudessem fazer tudo que desejassem, não prestando contas a ninguém. As pessoas, que passeavam na praia, se tornavam figuras de fumaça. Bruma leve e transparente.

Marcos me tomou a mão e ficamos a molhar os pés nas ondinhas que se quebravam preguiçosas, deixando espuma na areia. Suas mãos eram macias e firmes. Dar as mãos, lado a lado, num silêncio cheio de dúvidas.

_ Então, Marquinhos? – Provoquei, de novo, quebrando um pouco a vaga sensação de encanto que me envolvia.  Poderia voltar ao romantismo dos velhos tempos? Não sentia nenhuma vontade de fingimento, ali. Minha paz voltava! Aceitava que a proposta, meio sem pé nem cabeça, do amigo eventual, realizasse o dia diferente que senti nascer, desde que acordara.

Parecia que o Galo deixara de existir; que o pequeno episódio erótico dos Correios jamais tinha acontecido. Ali na praia, era outro mundo e, no entanto, cheirava mais próximo, mais real. Desejava que ocorresse alguma coisa. Qualquer coisa! E me senti tímida e retraída como nunca, dependente da vontade de meu companheiro de passeio e certa de que faria o que ele quisesse.

_ Não sei! Talvez, esteja sendo louco demais. O que pretendo de você? Hoje, aqui e agora? – Continuou Marcos. _ Imagino o meu futuro e esqueço meu passado. Olha, Beatriz! Eu queria ver você, olhar você, com meus olhos de adulto e, não, de adolescente. Não sei se aqui na praia eu posso fazer isso, sem que ninguém perceba. Gostaria que, somente eu, fosse o único a ver você!

Difícil saber o que Marquinhos queria dizer. Tantos rodeios a meia-voz, cabeça baixa, traindo sua proposta de confronto quase mágico.

_ Não sei o que você quer, Marcos. Mas, seja o que for, eu farei.

Mal escutava minha própria voz, subjugada por intenso desejo de me identificar com aquele momento. Precisava, talvez, de criar alguma coisa naquele mundo para que ele se fixasse, criasse raízes, confirmasse o real através da bruma imaginária dos meus sonhos. Certamente, Marquinhos não estava muito consciente do que se passava comigo. Agora, não mais provocadora, apenas querendo saber o que fazer, perguntei-lhe, baixinho, o que ele pretendia de mim.

_ Você topa ir ao meu apartamento? Agora? – Respondeu-me, mais forte.

Acho que hesitei, a ponto de tremer um pouco. Quase não respondi direito. Não sabia se queria, ou devia, voltar ao mundo que deixara ao sair do restaurante.

_ Por que na sua casa? Você pode me olhar, aqui, todo o tempo que quiser.

_ Por favor! Tanto faz na minha casa como em qualquer outro lugar. Mas você disse que faria o que eu quisesse e o que eu quero não pode ser feito aqui na praia.

Não queria ir ao apartamento de Marcos, estava certa disso, embora ainda estivesse disposta a cumprir minha promessa. Não sabia, tampouco, se sair de perto das ondas não terminaria por desfazer o feitiço. Onde, mais, poderia reproduzir ou manter minha bruma, recém-criada, sem ir à casa dele, mesmo não sabendo ao certo o que ele queria?

_ Não, Marquinhos! Outro dia, talvez. Hoje, não!

Marcos se abaixou, apanhando um pequeno marisco na areia. Estava visivelmente embaraçado, gaguejante de novo.

_ Não é bem isso que você está pensando! – Murmurou, sua voz confundindo-se com o ruído do mar.

_ Não estou pensando em nada! Absolutamente em nada! – Respondi.

Senti, de repente, que estava sendo injusta com Marcos, embora o encanto já não fosse o mesmo. Afinal, encontrei-o, provoquei-o, criei minhas fumaças e brumas, revivi meus fantasmas e, agora, parecia, estava dando uma marcha a ré. Contudo, não queria ir ao seu apartamento. E não iria! Mas poderia pensar numa alternativa que pudesse, em parte, recuperar o momento gostoso que estava vivendo.

_ Marcos! Você se incomoda de ir ao meu próprio apartamento? – Perguntei, sem pensar.

Na verdade, não seria na minha casa habitual, mas no meu apartamento de praia que surgira bem defronte, como num passe de mágica. Não percebera o quanto havíamos andado pela areia. Um bom pedaço, certamente. O apartamento era pequeno, usado apenas no verão ou em fins de semana. Mas era também minha própria casa, de fato e de direito.

É claro que o Galo, o feitiço do mar e, confesso, um pouco de minha alegria haviam desaparecido. No entanto, permanecia minha disposição de continuar na companhia de Marcos.

Enfim, quem sabe, até seria melhor subir no apartamento.  Precisava de um banho, trocar a roupa suada. O apartamento era absolutamente inviolável. Poder-se-ia estar à vontade, em plena segurança. Além disso, havia alguma bebida e música.  Pensei, também, que estaria no meu próprio terreno sem saber ainda o que Marquinhos queria de mim. Pelo menos, poderia me defender de qualquer exagero, sei lá… 

Subimos e, como sempre, por educação, mostrei o apartamento ao meu convidado, rindo com uma certa malícia quando chegamos ao quarto de dormir. Não era a primeira vez, é claro, que um homem entrava no meu refúgio de praia!

_ Apartamento legal! – Murmurou o boboca do Marquinhos. Endireitei um quadro meio troncho e coloquei, no som, o quarteto de Dissonâncias de Mozart, talvez mais apropriado para a situação, que corria um pouco diferente do que sonhara no início do passeio.

De qualquer maneira, me sentia, agora, pegajosa e suja. Deixei Marcos com uma cerveja, na sala, enquanto preparava meu banho. A água estava deliciosa e me demorei dentro dela, quando tive uma idéia, saída um pouco da frustração da poesia desfeita.

Tudo bem! Pensei, enquanto me ensaboava de novo. Ele quer me ver, me olhar! Pois, sim! Ele o fará em grande estilo. Ao meu estilo!

Num dos guarda-roupas, havia um blusão de seda transparente que me caía até os joelhos. Marquinhos não poderia dizer que eu não estava vestida apropriadamente, com o calor que fazia. Comecei a ficar mais viva e alegre com a peça que iria pregar no rapazola. Perfumei-me e fui ao quarto procurar o quase vestido. Sem nada por baixo, o blusão branco me lembrava a praia de brumas de onde acabara de vir, sem ter podido carregar minhas fantasias.

Estava curiosa e excitada, de novo. Uma DIANA, equilibrada num único e vaporoso vestido, esperando a cara de espanto do meu amiguinho, lá na sala ouvindo música. Havia, certamente, exagerado sua sensibilidade. Nem de longe, Marcos percebera o encantamento que eu vivera perto do mar.

Encontrei-o, no sofá, de cabeça baixa, copo na mão, como embevecido por algo que, talvez, não fosse a música. Quem sabe, o incômodo de estar num ambiente estranho! Voltaram-me as histórias em torno do rapaz. Sozinho com uma mulher madura, num apartamento deserto, noite fechada, sem poder fugir, se é que alguma vez fugira. Ri-me um pouco. Afinal, não se tratava de nenhuma cerimônia de casamento…

_ Marquinhos! – Falei, sussurrando, com medo de assustá-lo. _ O que você pretende de mim? – Repeti, com um ar meio lânguido, a pergunta que fizera antes.

O rapaz olhava o tapete e quase explodiu, com o rosto em chamas, ao levantar a vista em direção de minha voz.

_ Oh! Não! Você não me entendeu, Beatriz! – Dizia, enquanto pregava os olhos em meu corpo nu.

Oh! Não! Pensei, surpresa com a reação por demais patética do  amiguinho. Voltaram-me as dúvidas, mas não desistiria. O jogo estava feito e não tinha por que recuar. Resolveria, de vez, o tal mistério!

_ Olha, Beatriz! – Marcos continuou a falar, com visível esforço. _ Encontrei você nos Correios e colei atrás. Senti uma vibração imensa e, como você não me repeliu, continuei colado. Estava noutro mundo, bolinando o seu traseiro! Depois, você sumiu, quando fui buscar uma cerveja. Fiquei desesperado! Pensei que havia sido uma alucinação provocada pelo calor e pelo barulho…

_ Uai! Era você? – Interrompi, um pouco assustada pelo meu anonimato quebrado.

_ Era, sim! Levei algum tempo para me recuperar, sabendo que ignorava quem estivera atrás de você. Meu Deus! Eu morreria de vergonha, se você me identificasse. Depois de tantos anos de espera, não resisti ao impulso daquele momento!

Meu Deus!  Que cara de pau! Pensei, rapidamente.

_ Quando cresci, fui fazer Direito porque você era professora da Faculdade. Não devo ter sido bom aluno. Você jamais me notou. No Tribunal, eu lhe falei disso e você fez um ar de surpresa. Passava meu tempo pensando em você subindo e descendo as escadarias do prédio e já pensei, até, em raptá-la pra que ficasse subindo e descendo só pra mim.

_ Não precisa ter medo! – Continuou. _ Coisa mansa! Fantasias! Quando adolescente, ficava escondido no terraço de minha casa,  vendo você balançar seu corpo e suas ancas. Sei muito bem o que é real. Nos Correios, era! Você se rebolava, como se estivesse subindo e descendo montanhas! Morri de medo que reconhecesse minha voz. Mas você nem ligou! Ao contrário, achei que estava gostando. Depois, foi o vazio! Procurei você por perto, meio enlouquecido. Achava que havia perdido minha primeira e última chance na vida…

_ Espera, aí, Marcos! – Interrompi, um pouco sem graça. _ Era, mesmo, você o cara que estava me bolinando nos Correios?

Puxa vida! Somente, agora, percebia que ele estava curtido de sol e que sua voz era grave e bem entonada. A confusão nos Correios, a excitação, as minhas fantasias inibiram qualquer senso de julgamento.

_ Era! Peço-lhe desculpas pelo meu impulso. Mero acaso! Não planejei nada. Estava, também, esperando o Galo, quando vi você em ponta-de-pés no meio-fio. Somente isso!

_ Não, Marcos, tudo bem! Aqui pra nós, achei muito gostoso. Um pouco estranho pra mim! Não se preocupe, ninguém estava olhando.

_ Depois – ele continuou – fui andando pela calçada até a Pracinha, onde cheguei primeiro do que você. Meu coração disparou quando reconheci sua voz, enquanto suas mãos tapavam meus olhos. Não sabia o que dizer, mas percebi que você não me reconhecera nos Correios e fiquei mais tranqüilo.

Cheguei um pouco mais perto de Marcos, encostando o meu joelho em sua perna. Tudo bem! E daí? Desistir, agora, é que não podia! Meus peitinhos balançavam em movimentos rápidos, enquanto ria, provocando o rapaz. Meus pêlos estavam bem visíveis, ao alcance de sua mão. Milímetros de distância, apenas!  A música terminara e não tentei mudar o som. Esperava, enquanto fazia pequenos e sutis movimentos de ombros, como se dançasse qualquer coisa.

_ Bem, Marcos! Estamos, aqui. Você queria me olhar descendo e subindo escadarias. Já o fez. Agora, por que você próprio não sobe e desce de verdade? Suas mãos, construindo degraus através do  meu corpo. Veja! Meu vestido é um tapete deslizante. Fácil de tirar! Minha cama é gostosa e a noite apenas começou.

_ Não! Só penso em acariciar sua bundinha. Nada mais! Quero conservar meus sonhos. Viver com eles. Que adiantaria ir mais longe? Depois do Carnaval, você voltaria a ser a professora de sempre. Não mais suportaria vê-la na Biblioteca como uma colega qualquer.

Lentamente, Marquinhos começou a levantar o meu blusão, friccionando a seda em minhas coxas. Suas mãos, com delicadeza, seguravam minha bunda. Aproximou a boca e beijou de leve meus pêlos, encostando seu rosto bonito de encontro à minha barriga.

De súbito e com firmeza, fez-me dar uma volta inteira e, desta vez, com uma certa fúria, beijou minha bundinha, quase perfurando  minhas entranhas com a língua.

Gritei de prazer e de angústia, enquanto Marcos pressionava sua cabeça de encontro ao meu traseiro. Depois, levantou-se, suado e ofegante. Recuou até a porta e disse que estava exausto. Precisava ir embora.

_ Meu Deus! Que coisa! Olha! Você pode passar a noite, aqui.

_ Beatriz, por favor! Não me atormente mais!

Ouvi o elevador chegando. Sabia que, insistir, seria perda de tempo. O mistério ficaria pela metade. Quem sabe, um dia…

Fechei a porta, deitei-me no tapete. Triste, morta de cansaço e de sono. De manhã, atravessando as vidraças, o sol batia em meu rosto. Sonhara com brumas, feitiços, espelhos…

DIANA, dançando com minhas pastoras num palco de areia branca e macia. Ao longe, um galo cantava novamente.

                                                   PERRUSI, Carnaval de l993.

Sementeiras
  1. Perrusi Pai,

    Que beleza! Um final surpreendente e muito interessante. Belo conto. Agora queremos mais.

    Um abraço,

    Dimas Lins

  2. Ah, as bundinhas…

    Pegando carona no comentário do Marco que também é Pimenta mas, creio, não aquela que Marília viu nos diminutivos, acho, sem ter escrito muitos contos eróticos (meia dúzia se tanto) que há mesmo é receio de transportar para a leitura o que é comum e, muitas veses, desejável de se ouvir/falar: palavrões mais fortes.

    Ao vivo e no, digamos, calor da luta, soam interessantes, excitantes, provocadores, enfim. Lidos como eu, por exemplo, na mesa de trabalho, podem paracer exageros e de gosto (gosto no sentido ruim do uso da palavra…) duvidoso.

    Lá no dito calor frases contendo o uso da palavra cú pode surgir e ser apropriado (palavra meio estranha, não achei outra). No Blog sei não. Mas estou divagando também como o Pimenta (com “P” maiúsculo).

  3. Grande Perruci Pai,

    Excelente conto, tenho a certeza de que, ao ler o conto, todos imaginam uma mesma “bundinha”, uma bundinha ideal, perfeita.
    Fico excitado no aguardo do Galo Parte III, sem o viado do Marquinhos!

    Abraço,

    Vinicius Laurindo(UFPB)

  4. I could agree in 100%.
    He’s the best part if this.

    cheers,
    ______________
    kissupt
    how to order soma online Auckland
    http://forums.acdjapan.com/index.php?showuser=3659

Deixe um comentário